SERRA DO CIPÓ - Destino para quem ama o ecoturismo
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terça-feira, 10 de junho de 2008
Mônica Nóbrega<br> Agência Estado 
Belo Horizonte - Há destinos que, sem serem escondidos, também não foram descobertos. A Serra do Cipó, em Minas Gerais, é assim. Fica a apenas 100 quilômetros de Belo Horizonte, tem uma paisagem de paredões rochosos, cachoeiras e campos floridos e uma infra-estrutura turística bem simples, mas que dá conta do recado. E, mesmo assim, é procurada por não mais do que 15 mil turistas por ano - a maioria vive na capital mineira. Os visitantes de lugares mais distantes são, principalmente, mochileiros e apaixonados por ecoturismo e por esportes de aventura em geral.
O lado bom é que, mesmo na melhor época do ano para visitar a região, a estação seca - que começou em abril e vai até novembro -, nada fica muito lotado. Feriados, é claro, são exceção.
E nem a Serra do Cipó quer virar o lugar da moda de uma hora para outra. O discurso de preservação por lá é forte e os moradores sabem que, se ''bombarem'', os pequenos povoados podem se ver diante de problemas ambientais (alguns já existem, como o excesso de pastagens).
A idéia é chamar a atenção aos poucos e sempre controlar a quantidade de visitantes - e a forma como se comportam. Exemplo são os folhetos, distribuídos em campings e restaurantes, que pedem para o turista não ligar o som do carro. ''Aproveite para ouvir os sons da natureza'', aconselham.
Cidadezinhas
Serra do Cipó é a distinção genérica para a região que abrange o parque nacional de mesmo nome, de 33.800 hectares (ou 338 quilômetros quadrados), e as cidadezinhas e as vilas do entorno, como Cardeal Mota, Jaboticatubas, Santana do Riacho, Lapinha da Serra e, um pouco mais distante mas também querida de jipeiros e de meninas e meninos de chinelinho e mochilão, Conceição do Mato Dentro.
O Rio Cipó é o mais importante e ganhou esse nome por conta do traçado, cheio de curvas. É proibida a prática de esportes radicais dentro do parque - mas o entorno está cheio de locais apropriados para o passeio dos aventureiros. As montanhas e os vales fazem parte da porção sul da Cordilheira do Espinhaço, que divide as bacias dos Rios Doce e São Francisco. Os desenhos que os paredões de rocha, cuja composição é o quartzito, formam no horizonte fazem lembrar uma chapada - com direito a cânions e cachoeiras que aparecem subitamente, quando chove e um expressivo volume de água despenca do alto da serra.
A região foi passagem de bandeirantes que seguiam para o nordeste mineiro em busca de ouro, em locais como o antigo Arraial do Tijuco (hoje Diamantina, distante cerca de 230 quilômetros dali). Existem até vestígios de uma estrada de pedra construída nessa época, que passa por cima da Cachoeira Véu na Noiva, uma das mais bonitas e visitadas.
O acesso a partir de Belo Horizonte é razoável. De carro ou de ônibus, o trajeto é pela Rodovia MG-010, asfaltada, mas de pista única. Atenção: o ultimo posto de combustível fica em São José do Almeida, 30 quilômetros antes de Cardeal Mota, a vila onde está a maioria das pousadas e restaurantes. Não existe agência bancária nem caixa eletrônico no povoado, e nem todos os estabelecimentos aceitam cartão de crédito.
Por outro lado, apesar dessas pequenas dificuldades (irrelevantes diante da beleza do lugar, você vai ver), dificilmente o turista cai em alguma roubada por lá. A população é tão gentil e disposta a ajudar que chega a causar estranhamento nos ''forasteiros''.
Nos restaurantes, você será atendido como se o proprietário o estivesse recebendo na cozinha de casa. Aliás, prepare-se para ganhar alguns quilos por causa da deliciosa - e nada light - cozinha mineira. Quando se der conta, você estará no meio de uma prosa animada com o dono do restaurante, bebendo o terceiro ou quarto cafezinho (de coador, por favor), por conta da casa. Coisas do Cipó.


