É o nome de Gianni Versace que está no título da segunda temporada de "American Crime Story", mas é a Andrew Cunanan, o homem que assassinou o designer de moda italiano em Miami, que a produção da FX trazida ao Brasil pela Netflix realmente se refere.

'American Crime Story': série traz estética dos anos 90 e história do assassinato de Versace
'American Crime Story': série traz estética dos anos 90 e história do assassinato de Versace | Foto: Divulgação

Cunanan, suspeito de ter matado quatro pessoas além de Versace em uma curta onda de crimes em 1997, é um personagem singular cuja morte prematura deixa muitas lacunas a serem exploradas por jornalistas e tarados por crimes em geral.

Magnético, socialmente hábil, bonito, inteligente, perverso e mentiroso contumaz, deslumbrado com a fama e a riqueza, Cunanan é um trunfo na pele de Darren Criss, que (merecidamente) ganhou um Globo de Ouro.

Já seria o bastante para seduzir o público, mas Murphy busca uma quase hipnose.

Para isso, usa o fato de a ação transcorrer no final dos anos 1990 com estética peculiar, e o universo do estilista e da Miami onde ele viveu, para construir um cenário onírico e reforçar o delírio do personagem central.

Tudo é verossímil e nada é certo, e a sacada do roteiro é justamente deixar isso no ar. Cunanan é mitômano; as interações que vemos entre ele e Versace na tela, além do desfecho, teriam de fato ocorrido? (Há relatos, mas não registros, a corroborá-las). Até hoje, por exemplo, ele é suspeito de ter torturado e matado o septuagenário empreiteiro Lee Miglin, a quem supostamente seduziu, mas ninguém sabe o porquê. Edgar Ramírez está ótimo como Versace, e Penélope Cruz, em versão loira, faz o que pode como Donatella, a irmã que assumiu a marca. Rick Martin, como Antonio D"Amico, o marido do estilista, é um bônus no elenco. Mais do que o assassinato, porém, é a fresta para o submundo de quem é ou foi impelido a esconder sua orientação sexual que provê a verdadeira voltagem dramática da série.

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