Série que retrata casos reais de vingança estreia hoje
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quarta-feira, 26 de junho de 2013
Juliana Gragnani<br>Folhapress 
São Paulo - Uma mulher descobre que o marido mantém um caso com uma garota muito mais jovem. Sua vingança? Coloca um cartaz em frente ao lar da família: "Casa à venda; marido adúltero indesejado". Depois de humilhá-lo publicamente, a esposa se dá por satisfeita.
História real de represália pública à traição, a narrativa é um dos vários casos retratados na série "Doce Vingança", que estreia hoje no canal de TV paga Investigação Discovery.
Apresentada pelo ator Steve Schirripa, o Bobby Baccalieri de "Família Soprano", a série documental vai atrás de casos verdadeiros de vingança - sejam elas bem-sucedidas ou não.
A investida no tema pelo canal lembra o sucesso de "Avenida Brasil", no ano passado, ou da série americana "Revenge", provável inspiração para a novela global. Para se vingar, Nina (Débora Falabella) chega a virar chef de cozinha de sua antiga madrasta, a vilã Carminha (Adriana Esteves). "O telespectador se identifica e gosta porque todos nós temos esse desejo primitivo de vingança dentro de nós. É uma defesa psicológica", afirma o psiquiatra Joel Rennó Jr., que coordena o grupo Pró-Mulher do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Tema recorrente
A história mais famosa de retaliação é a de Edmond Dantès, personagem principal do livro "O Conde de Monte Cristo", do francês Alexandre Dumas. A aventura de 1844 continua atual. Preso injustamente, Dantès obtém uma fortuna e vai atrás de todos os responsáveis por sua encarceramento. O livro foi adaptado diversas vezes para o cinema.
Dois anos depois, o escritor Edgar Allan Poe publicou "O Barril de Amontillado", conto em que o personagem principal se irrita com uma ofensa de um amigo e, para se vingar, deseja emparedá-lo vivo.
Antes disso, a mitologia grega já tratava do assunto: traída por Jasão, Medeia mata os próprios filhos como uma forma de castigá-lo. E a sede de vingança se repete também em Hamlet, tragédia de Shakespeare. O príncipe do Reino de Dinamarca busca derrotar o próprio tio, que matou o irmão, pai de Hamlet, para assumir o trono.
Schirripa, apresentador da nova série da Discovery, diz acreditar na tese de "olho por olho, dente por dente". "Sou a favor da vingança - acho que isso é, de certa forma, um tipo de justiça. As pessoas têm de pagar o preço pelo que fizeram", diz.
Na série, ele também entrevista moradores de Nova York. Depois de contar casos verdadeiros de castigos impostos por pessoas traídas, indaga: "Você faria o mesmo?"
Muitas vezes, a resposta é negativa. Apesar disso, os nova-iorquinos parecem aprovar os atos violentos de represália, pensados friamente. "Eles mesmos não procuram se vingar, mas se empolgam com quem o faz", conta o apresentador.
O psiquiatra Joel Rennó Jr. lembra que perfis psicológicos diferentes fazem com que a pessoa coloque ou não o desejo de vingança em prática. "A vingança pode ser construtiva ou destrutiva, depende de como o sentimento é elaborado na prática. Há pessoas que paralisam suas vidas e esquecem de olhar para si, centradas no sentimento de destruir o outro. O mais saudável é buscar a justiça de forma a reconstruir a vida e resgatar a autoestima de quem ficou sem rumo por uma traição", diz.
Serviço:
Doce Vingança Estreia hoje, às 22h, no Investigação Discovery. Classificação 14 anos


