Rio, 31 (AE) - Há trinta anos, em abril, o cantor e compositor mineiro Ataulfo Alves morria aos 60 anos. Apesar de ter tantos hits quanto Noel Rosa, Ary Barroso e Cartola, seus contemporâneos, o autor de "Amélia" nunca teve um revival como eles. Para reparar essa falha, o violonista Henrique Cazes está produzindo a série "Leva meu Samba", que estréia no dia 7 de abril, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio, com quatro shows abordando a obra de Ataulfo, da infância em Miraí, no interior de Minas, até seu último sucesso, "Você Passa eu Acho Graça", parceria com Carlos Imperial, que lançou Clara Nunes como sambista.
"Ataulfo sofreu o preconceito que havia contra o samba nos anos 60", conta Cazes, que tornou-se íntimo de suas músicas há 15 anos, quando acompanhou Elizeth Cardoso num espetáculo com o mesmo nome do atual projeto. "No auge da bossa nova, quando os sambistas tradicionais foram relegados como artistas menores, ele não estava morto, como Noel Rosa. Mesmo assim, Ataulfo conseguia feitos extraordinários para a época, como estar na lista dos dez mais elegantes do colunista Ibrahim Sued, num tempo em que os negros sequer frequentavam a coluna social.
O roteiro dos quatro shows pretende dar pinceladas sobre esses dados da vida de Ataulfo Alves, mas o foco principal é sua música, agrupada cronologicamente, na medida do possível. "Seguimos a história, mas levamos em conta principalmente a adaptação das músicas ao estilo de cada cantor ou instrumentista", explica Cazes. "E conseguimos reunir um time de primeira, gente como Elza Soares, Monarco, As Gatas (grupo vocal especializado em fazer coro para samba) e Roberto Silva, um cantor de samba da antiga que agora volta a fazer shows".
O primeiro espetáculo, de 7 a 11 de abril, com o título "Meus Tempos de Criança", reúne Ataulfo Júnior, filho do compositor e a cantora áurea Martins, que faz sucesso no circuito da noite carioca. Eles vão cantar os primeiros sucessos como "O Bonde São Januário" (feito por encomenda do Estado Novo), "Saudade Dela" e "Minha Infãncia" (a que tem os versos "eu era feliz e não sabia"). De 14 a 18 de, Monarco e As Gatas fazem o show "Ataulfo, um Rei dos Carnavais", cantando os sambas clássicos, feitos especialmente para a festa, como "Amélia", "Leva meu Samba" e "Atire a Primeira Pedra". Mário Lago, parceiro em "Amélia" e outros sucessos, faz participação especial.
Na terceira semana, o enfoque é o samba canção, na voz de Zezé Gonzaga e Luiz Cláudio. Hits da dor de cotovelo como "Errei sim", "Fim de Comédia" e "Infidelidade" estão no roteiro. E a série termina com o show "Na Cadência do Samba", com músicas dos anos 60. Elza Soares e Roberto Silva cantarão sucessos como "Mulata Assanhada" (lançado por ela), "Na Cadência do Samba" e o derradeiro "Você Passa, eu Acho Graça". "Acho que com esses shows, vamos dar início a um revival da obra de Ataulfo, como ele já vem merecendo há muito tempo", conclui Henrique Cazes.

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