Neste resgate (um modo sutil de justificar as reprises) que vem fazendo de suas antigas produções, a Globo, depois de reapresentar a discutível ‘‘Engraçadinha’’ e a candente ‘‘Desejos’’ relança, agora, uma de suas mais interessantes - talvez a única - incursões no terreno das narrativas de suspense e crime, a minissérie ‘‘Noivas de Copacabana’’.
O tema é comum na ficção, tanto literária quanto cinematográfica e televisiva norte-americana, envolvendo os famosos assassinos em série, com o adendo, sempre interessante, do aspecto sexual. Não é, porém, um tema muito comum na dramaturgia brasileira. Em verdade, isto talvez decorra do fato de não termos, pelo menos oficialmente, históricos sobre este tipo de criminoso, no País. Com efeito, o motoboy de São Paulo, apontado como responsável por uma série de crimes contra mulheres, é talvez um dos poucos exemplos reais deste tipo de personagem.
A falta de elementos assim, na vida real, acaba por não atrair o ficcionista para este ramo. Todavia, a história da minissérie da Globo, apesar desta falta de ‘‘inspiração’’, acabou se revelando muito interessante. Claro, não parece bem uma história brasileira, mas Copacabana pode ser qualquer outra praia do mundo, o assassino, um loiro, alto, de tipo nórdico, também se encarnaria bem no tipo de um serial killer nos melhores padrões de Hollywood, e o policial que investiga os crimes também lembra um daqueles tipos dos filmes que tratam do assunto. Até mesmo o fato de a história ser apresentada em português não é problema, afinal a TV mostra filmes e séries dubladas.
No fim, o que interessa é o resultado. E, sem dúvida, se trata de um trabalho muito bem-feito, uma história bem formulada e com interpretações fantásticas. O destaque, sem dúvida, é do próprio criminoso, vivido com perfeição por Miguel Fallabela, que além de ter o tipo certo também mostra muito talento na vivência do personagem.
‘‘Noivas de Copacabana’’, que a Globo começa a apresentar hoje, é, sem dúvida, um trabalho que vale a pena ser visto e até revisto.

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