Serial killer a jato
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de março de 1997
Carlos Eduardo Lourenço Jorge Especial para a Folha2 
DivulgaçãoTurbulência: inevitável a comparação com Velocidade MáximaDa recente série quase-catástrofe surge com um atraso de oito meses este Turbulência(veja a programação de cinema na página 3 ), que leva aos ares violência e terror pelas mãos de um perigoso personagem. O maníaco em questão é Ryan Weaver (Ray Liotta), que está sendo extraditado via aérea de Nova York para Los Angeles na véspera do Natal. A principal característica de sua mente doentia é a capacidade de ocultar, sob uma aparência suave e cativante, as mais hediondas tendências homicidas. No mesmo Jumbo embarcaram quatro delegados federais e um segundo criminoso, nada sutil. A previsão do tempo é de muita instabilidade. Fora e dentro. E é este outro bandido explícito quem começa o banho de sangue nas alturas. Como o avião leva poucos passageiros, as mortes não são muitas. Mas em pouco tempo quem já está no controle da situação é Ryan, e com um plano diabólico: pressentindo que vai morrer neste vôo, ele pretende produzir um desastre monumental, um fecho de ouro para sua carreira com alto nível de mortalidade...alheia. Para isso é preciso chegar à cabine de comando, no momento sem os pilotos, todos recentemente falecidos, mas ocupada pela dedicada e determinada aeromoça Teri Halloran (Lauren Holly, aliás senhora Jim Carrey). Trancada no cockpit, ela é informada pela torre em Los Angeles sobre os perigos reais e imediatos: criminoso por perto, tempestade com ventos fortes à frente e natural imperícia para pousar o gigante, caso consiga antes abater o delinquente. Aos poucos ela (e o filme) se transforma numa espécie dura de matar.
Ficção realista, realidade trágica Irresistível, também, a comparação com Velocidade Máxima: é trocar o ônibus pelo Jumbo e obviamente não parar sob qualquer circunstância. O personagem de Lauren Holly tem tudo a ver com a motorista vivida em Speed por Sandra Bullock. E mesmo em posições trocadas, até a recíproca do canastrão Keanu Reeves é verdadeira, na pele do improvável Ray Liotta. No mais, a ultra-ambiciosa conversa realista de sempre: o cenário permanente do filme, corpo e cabine do avião, foi construído especialmente; um Jumbo de verdade foi alugado para algumas sequências; um tubo de grandes dimensões foi construído para reproduzir fielmente uma tempestade e seus efeitos numa aeronave a 10 mil metros de altura. Tudo muito planejado e executado, sob as ordens do veterano e impessoal diretor Robert Butler (70 anos).
Mas o imponderável ninguém poderia prever. Pronto o filme para estréia no verão americano do ano passado, a campanha de lançamento foi surpreendida com a notícia da explosão e queda do Jumbo da TWA, em julho. Era o fatídico vôo 800, com 280 pessoas a bordo e nenhum sobrevivente. A mídia nacional de Turbulência foi naturalmente suspensa, trailers retirados dos cinemas e não se falou mais no assunto. Até a primeira exibição pública nos Estados Unidos, dia 1º de janeiro.


