Sergio Mendes continua essencialmente o mesmo. Ele acaba de lançar ''Bom Tempo'', mais um álbum em que, como é seu costume, relê clássicos da MPB conhecidos no mundo, ou com grande potencial para isso. Sobretudo canções dos 60 e 70.
Entraram desta vez ''País Tropical'' (Jorge Ben), ''Maracatu Atômico'' (Jorge Mautner/ Nelson Jacobina, com participação vocal de Seu Jorge), ''Emoriô'' (João Donato/ Gilberto Gil, com Carlinhos Brown e a americana Nayanna Holley), ''Só Tinha de Ser com Você'' (Tom Jobim/ Aloysio de Oliveira, com Gracinha Leporace) e ''Caxangá'' (de Milton Nascimento/ Fernando Brant, com Milton no violão e voz).
''Meu critério é sempre a força da melodia'', diz Mendes. ''Quando penso um disco, começo ouvindo coisas que já conheço, melodias que marcaram época. E escolho as que considero capazes de abrir todo um caminho à nova geração.''
Nesse quesito, aposta na força de ''Maracatu Atômico'' e ''Emoriô''. Para ele, ambas têm a ''comunicação imediata com o público do mundo inteiro'' que também tinha ''Mas que Nada'' - responsável pelo primeiro sucesso de Mendes, em 1966, e pelo retorno dele às paradas mundiais há quatro anos.
O foco de ''Bom Tempo'' é a pista de dança, agora agitada com batida ''menos americana''. O disco quer ''levar ao mundo a diversidade, a alegria e a sensualidade da música brasileira''. Ou, conforme prega a cartinha de ''País Tropical'', a fábula do Brasil ''abençoado por Deus e bonito por natureza, que beleza''.
Brasil que, ao vivo, Mendes visita só uma vez por ano (ele mora em Los Angeles, California). ''Por que fiquei aqui (nos EUA), nem eu sei explicar. Meu negócio foi todo feito aqui, vou ficando. Foi pintando trabalho, e mais trabalho, e outro disco. Mas sinto saudade de Niteroi até hoje.''
SERVIÇO
- BOM TEMPO
Artista - Sergio Mendes
Gravadora - Universal
Quanto - R$ 25

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