Sérgio Britto mostra a sua visão da história em forma de revista musical
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terça-feira, 18 de abril de 2000
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 19 (AE) - O ator e diretor Sérgio Britto vai contar a história do Brasil em uma revista musical. Ele estréia sexta-feira, no Teatro UniverCidade (ex-Delfim), o espetáculo "Ai, Ai, Brasil - 500 Anos", um resumo cantado de nossas mazelas desde a chegada dos portugueses e de como o povo conseguiu se safar delas. É o sexto musical de sua carreira, que tem ainda oito montagens de óperas (três delas só de Carmem, de Bizet). Seu objetivo é refrescar a memória do público e do próprio elenco.
Britto se sentiu com essa missão, quando foi encarregado pela Prefeitura do Rio da programação do teatro. "Com a verba que tinha, vi que não conseguiria trabalhar com um elenco experiente e decidi aproveitar essa juventude talentosa que surgiu nos últimos dez anos, preparada para cantar e dançar em cena", conta ele. "De cara, vi que eles sabiam muito pouco da nossa história e decidi fazer espetáculos musicais visitando nosso passado, mesmo recebendo críticas de alguns setores que preferiam me ver fazendo clássicos".
No caso de "Ai, Ai, Brasil", Britto reuniu 30 atores e quatro músicos e escreveu o texto com Clovis Levy, a partir de uma pesquisa que durou três meses. O orçamento, bancado pela Prefeitura e pela Tele Centro Sul, é de superprodução: R$ 420 mil. "Contamos a versão não oficial de uma história, em que predominam o roubo, o sequestro dos escravos e a chacina dos índios, mas o povo dá a volta por cima e consegue criar essa raça brasileira", adianta o diretor. "Queríamos usar músicas conhecidas, mas o Clovis e o diretor musical, Caique Botkay, acabaram compondo 24 canções das 30 que estão no espetáculo".
Para contar essa história na hora e meia que dura o espetáculo, Britto optou pelo teatro de revista, nos moldes dos anos 30, quando vedetes e humoristas como Nélia de Paula, Mara Rúbia e Oscarito comentavam o cotidiano brasileiro e faziam sátira política. "Não há uma história a ser contada, mas flashes sem coerência estética". Nossa história vem contada em ordem cronológica por dois mestres-de-cerimônias, vividos por Suely Franco e Rogério Freitas. "Eles correspondem ao compadre e à comadre das revistas e, enquanto a Suely quer mostrar o lado bom de nosso passado, Rogério é destruidor e só vê o lado ruim"
adianta o diretor.
Suely faz seu primeiro trabalho após ganhar todos os prêmios de teatro com a peça "Somos Irmãs", em que vivia a cantora Dircinha Batista na fase decadente. "Eu gosto disso na nossa profissão, um dia vivo um drama, no outro faço uma comédia
para depois ser boazinha e, em seguida, virar a vilã", explica Suely, que começa também a gravar, em maio, a nova versão da novela "O Machão". "A vida de um ator é assim mesmo e eu me lembro que, quando comecei "Somos Irmãs", gravava também o remake de Pecado Capital".


