Seres da floresta
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de junho de 2002
Marcos Losnak<br>Especial para a Folha 
Há coisas que nos metem medo. Às vezes, um medão. Ao mesmo tempo nos fascinam. Não muito é fácil de explicar, mas as coisas que nos metem medo também nos encantam. História de assombração, por exemplo. Normalmente temos pavor só de pensar, mas gostamos de ouvi-las.
O mesmo acontece com as lendas e os mitos existentes no interior do Brasil. Algumas causam medo, mas encantam de tal maneira que chegamos a acreditar que são reais, ou mesmo possíveis. A Editora FTD está lançando uma coleção de livros com algumas dessas histórias que, a princípio arrepiam a pele e depois acalentam a imaginação com seres fantásticos.
Trata-se da coleção História do Rio Moju, organizada pelos professores Denyse Cantuária e Dênio Maués Vianna. A partir de relatos colhidos oralmente na região amazônica mais especificamente nas redondezas do rio Moju, no estado do Pará , alguns escritores foram convidados para recontarem as lendas às crianças.
Assim, surgiram seis livros: O Boto, de Fanny Abramovich; A Pororoca de Laerte; O Cururpira de José Arthur Bogéa; A Matinta Perera, de Bartolomeu Campos de Queirós; A Iara, de Arthur Nestrovski; e A Cobra-Grande, de Nélson Cruz esse último deve ser publicado em breve. -
Cada autor conferiu uma maneira particular de apresentar a tradição dos seres imaginários que povoam a cultura dos habitantes da região amazônica. Lendas que correram de boca em boca através dos anos, todas vinculadas à floresta e aos rios.
Laerte, por exemplo, optou por utilizar a linguagem de história em quadrinhos para contar as peripécias dos seres que fazem da Pororoca uma onda assustadora. Fanny Abramovich, achou melhor criar uma Bota para apaziguar a paixão do Boto. Arthur Nestrovski, resolveu comparar a lenda da Iara com às das sereias encontradas por Ulisses na mitologia grega.
Em O Curupira, José A. Bogéa insere a figura de Maria Mucuim, uma espécie de fada-curandeira-bruxa que habita as florestas. Convivendo em harmonia com as entidades da mata, é a responsável pelo bons conselhos para que ninguém caia nas mãos de Curupira e do Boto, por exemplo.
O personagem menos conhecido da coleção é a Matinta Perera, apresentada por Bartolomeu C. Queirós. Um tipo de bruxa, capaz de se transformar num sinistro pássaro negro, que tem o poder de atrapalhar os caçadores da floresta. Para deixar as pessoas em paz, exige pequenas doações de tabaco, uma oferenda que recolhe como fantasma. Ela, geralmente, é confundida com o Saci Pererê.
Serviço:
- A Pororoca de Laerte, Editora FTD, 32 páginas, R$ 10,50.
- A Matinta Perera de Bartolomeu Campos de Queirós, ilustrações de Tina Vieira, Editora FTD, 40 páginas, R$ 10,50.
- O Boto de Fanny Abramovich, ilustrações de Biratan Porto, Editora FTD, 48 páginas, R$ 10,50.
- O Curupira de José Arthur Bogéa, ilustrações de Maxx, Editora FTD, 40 páginas, R$ 10,50.
- A Iara de Arthur Nestrovski, ilustrações de Caco Guimarães, Editora FTD, 40 páginas, R$ 10,50.


