Serenidade à cubana
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quinta-feira, 20 de março de 1997
Denise Schittine TV Press 
Luiza Dantas/Carta Z NotíciasThaís de Campos: Gostaria que a televisão
precisasse mais do artista, não ele delaThaís de Campos atualmente define sua personalidade como algo entre suas personagens Amparo, de Salsa e Merengue e Arlete, de Mulheres de Areia, título atual no Vale a Pena Ver de Novo. A Arlete é muito apática e a Amparo muito agitada, compara ela.
Entetanto, enquanto as duas personagens são dependentes da família ou dos namorados, a atriz sempre foi muito descolada. Com apenas 14 anos já dava aulas de dança na academia da mãe em Brasília e um ano depois resolveu se mudar para o Rio e seguir a profissão de atriz. Achava Brasília uma cidade muito nova e culturalmente imatura, justifica.
Depois de alguns anos tendo aulas no Teatro Tablado, Thaís foi convidada a fazer Elas por Elas, sua primeira novela. Na época, a Globo ainda não tinha a Oficina de Atores. Por isso, ela precisou aprender as técnicas televisivas praticamente sozinha. Tive a sorte de, logo de primeira, trabalhar com Eva Wilma, que me ensinou uma porção de truques, lembra.
Elas por Elas foi a primeira de uma série: em 15 anos, Thaís trabalhou em dez novelas. Apesar de trabalhar tanto, ela ainda recebe cobrança dos amigos de profissão pelos períodos em que fica fora do ar. Todo o artista vive ansioso e acha que não está fazendo nada quando não aparece na televisão, reclama. A atriz sentiu isso na pele quando ficou dois anos sem aparecer no ar, depois de Mulheres de Areia, porque estava viajando em temporada com a peça Supermãe.
Curso O mesmo aconteceu quando o marido da atriz precisou morar dois anos em São Paulo e ela resolveu ocupar este tempo apenas estudando. Foi neste período que descobriu a capacidade de escrever e dirigir e resolveu começar a dar aulas de interpretação e direção. A idéia deu tão certo, que virou um cursinho anual, que os atores iniciantes paulistas não perdem e que ela resolveu trazer para o Rio de Janeiro neste mês.
Um dos lados ruins de ser ator é ter de esperar que a televisão chame para trabalhar, explica. Por isso, ela decidiu dar a maior versatilidade possível aos seus alunos. Suas aulas dão noções de expressão, representação e até enquadramento aos jovens atores. Gostaria que a televisão precisasse mais do artista, não ele dela, reclama.


