São Paulo, 07 (AE) - O primeiro "Austin Powers" teve um bom motivo para chegar às telas. O roteiro demonstrava certa inventividade ao registrar a estranheza de um cidadão dos anos 60, partidário da revolução sexual, inserido nos dias de hoje, na chamada era da aids. O mesmo não acontece com a sequência, "Austin Powers - O Agente Bond Cama", que entra em cartaz amanhã nos cinemas brasileiros. Repetindo gags e piadas, o novo filme demonstra uma única vocação: aproveitar o sucesso do título anterior (que estourou em vídeo) para faturar com a grife. E a empreitada deu certo. Pelo menos nos Estados Unidos, onde o filme arrecadou US$ 54,9 milhões só no fim de semana de abertura.
O número é impressionante, mas não significa que o filme corresponda às expectativas. Só mesmo os fãs mais ardorosos do personagem, criado para satirizar o agente 007, conseguem sair satisfeitos da sala de cinema. Mike Myers retoma o protagonista bancando um ícone da cultura pop. As roupas são espalhafatosas, o comportamento é assumidamente imbecil e o sexo continua sendo sua única motivação. Sua libido, aliás, passa a ser motivo de preocupação na sequência. Isso porque sua força motriz é roubada por Igor Dão, um personagem que volta ao passado, ao ano de 1969
em máquina do tempo criada pelo Dr. Evil. Detalhe: Myers não só encarna o vilão, já conhecido do público, como o novo personagem
um gorducho de hábitos nojentos.
Para ajudar Myers a recuperar sua potência sexual, entra em cena Felicity Façobem (Heather Graham), uma agente da CIA. Bem ao estilo dos seriados de televisão, a dupla enfrenta todo o tipo de perigo. Em meio às aventuras, desfilam as gas e piadas de Myers, muitas vezes recorrendo ao humor escatológico. Igor Dão, por exemplo, consegue ameaçar os inimigos com gás. E obviamente o gás em questão é de fabricação própria. Sem correr o risco de estragar o prazer do espectador - até porque não é difícil adivinhar o que vai acontecer no final -, a sequência segue o original até na estrutura. Apesar de sua incompetência, Austin Powers acaba derrotando os inimigos, salvando o planeta das garras do Dr. Evil e, inevitalmente, transando com a garota - sem perder a oportunidade de exibir o peito excessivamente cabeludo, uma de suas marcas registradas. (Elaine Guerini)

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