Sente-se, que lá vem historinha
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sábado, 07 de abril de 2007
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Era uma vez, uma praça que vivia rodeada de pessoas que se reuniam para ouvir histórias. Gente grande, gente pequena, meninas e meninos, sem distinção. Hoje, o elenco que começou com apenas nove participantes cresceu e conta hoje com mais de 25 protagonistas.
O enredo foi criado em julho de 2006, quando as professoras Jaqueline Pucci e Liliane Soares Cipriano decidiram realizar um trabalho voluntário na Vila Recreio (Centro), em Londrina, batizado de ''Contação de Histórias na Praça''.
Durante um sábado por mês, o espaço público vira pano de fundo para o lúdico entrar em cena. ''Levamos caixas com livros e escolhemos duas histórias que serão lidas. Depois, deixamos as crianças (e adultos que têm participado bastante) à vontade para escolher outros livros e conversar'', revelou Jaqueline.
Segundo ela, a Escola Municipal Eurides Cunha, onde trabalham na biblioteca com empréstimo de livros e também contação de histórias, cede total apoio à iniciativa. ''A escola empresta os livros para a gente e, toda sexta-feira que antecede a contação, elaboramos convites que serão entregues aos alunos. Até o presidente da associação de bairro solicita as datas para divulgar aos moradores'', disse a professora, lembrando que a participação se estende à toda população interessada.
A divulgação boca-a-boca tem atraído mais adeptos de contos, como é o caso de Sirlei Aparecida de Oliveira Santos, mãe do estudante Giovane, de nove anos. ''Eu gosto de leitura, e quando a professora falou sobre o projeto, me interessei. É um momento muito proveitoso, que reúne toda a família, já que meu marido e meus filhos também participam. É uma forma de dar um incentivo a mais para a leitura'', acrescentou.
Giovane, por sua vez, apesar de ter assumido que tem um pouco de preguiça para ler, também disse que adora ouvir as histórias. Mas com um detalhe: ''a história tem que ter um começo muito legal'', completou ele, para que se interesse pelo desfecho.
A professora Liliane ressaltou que a interatividade entre os familiares é outro hábito frequente entre os participantes. ''Durante a contação de uma das histórias, uma mãe indagou à filha: 'Mas a formiga morreu de quê?', quando a filha respondeu ''de enfarte formigante!'. Elas falavam a respeito do livro 'Formigarra e a Cigamiga', da escritora Gloria Kirinus'', contou.
Segundo Liliane, a partir da próxima contação de histórias haverá brinquedos educativos para entreter ainda mais os participantes. ''Eles ficam tão envolvidos que não vêem a hora passar. Se a gente deixasse, a contação iria até altas horas'', revelou. Para as idealizadoras do projeto, existe uma mágica que envolve cada história. ''É muito gratificante ver que temos ex-alunos que hoje estão na 7 série, participando da contação. Quando chega a hora de escolher o livro, eles ainda pedem pra gente ler para eles'', orgulhou-se Liliane.
Se uma história bem contada desperta o interesse dos pequenos, as ilustrações que acompanham os livros incitam ainda mais a curiosidade, como no caso de Ana Vitória Correia Vieira, de 5 anos, que estica seu pescocinho para poder enxergar o protagonista descrito pela professora. ''De onde o passarinho nasce? Eu sei que ele voa, voa, voa...'', interrompeu a professora durante a leitura do livro ''De fora da Arca'', de Ana Maria Machado.
Com pouca idade para saber ler sozinha, Gabriela Canteiro Figliano, de 6 anos, disse orgulhosa que tem uma coleção de livrinhos que sua mãe comprou quando trabalhava. ''Olha, tem palavras que eu não consigo ler ainda. É gostoso ouvir histórias, porque dá mais vontade de aprender a ler e escrever logo'', refletiu, sem perceber que já compreende muito mais do que imagina saber.
Serviço:
- Contação de História na Praça
Quando: Sempre nos terceiros sábados de cada mês, às 16h30; a próxima
contação irá ocorrer no dia 21 de abril
Onde: Na Rua Tietê, 480 - Vila Recreio (em frente à Escola Municipal Euride Cunha).
Quanto: É aberta ao público


