O jeito de menina sapeca ainda está no gestual espevitado e no sorriso farto de Isabel Fillardis. Hoje, aos 23 anos e quatro depois de estrear na tevê como a Ritinha de ‘‘Renascer’’, Isabel está justamente tentando domar os trejeitos adolescentes. O esforço é para interpretar Inês, uma mulher sofrida e mãe de dois filhos, personagem de ‘‘A Indomada’’. ‘‘Tenho observado muito a minha mãe. Mas estou buscando a Inês dentro de mim’’, filosofa Isabel.
Inês passa por várias dificuldades na trama. Ela é esposa do jogador compulsivo Hércules, feito por Marcos Winter, que esconde da família que se casou com uma mulher negra de condição financeira inferior, com quem tem dois filhos. Por ser sobrinha da empregada dos Mendonça Albuquerque, Florência, vivida por Neuza Borges, Inês é vítima tanto de preconceito racial como social. Desde os 11 anos, quando já tinha os atuais 1,72 m de altura e era um ‘‘varapau’’, Isabel fazia trabalhos como modelo e manequim e acreditava que sua realização estava nas passarelas. Mas, aos 17 anos, por insistência da Agência Ford, fez um teste para a Oficina de Atores da Globo.
Um mês depois, foi chamada para o teste de Renascer. ‘‘Fiquei surpresa porque achava que não tinha jeito para atuar’’, relembra Isabel, divertida.
Isabel relembra que a participação da Ritinha seria pequena, mas suas cenas aumentaram porque funcionou a química entre ela e o matador Damião, que Jackson Antunes fazia.
Avessa aos tradicionais cursos de interpretação, Isabel acredita que o ator aprende na prática.
Franca, a carioca Isabel assume que ainda está a espera de um personagem que suplante o sucesso da Ritinha. A oportunidade poderia ter surgido com o convite de Walter Avancini para protagonizar ‘‘Xica da Silva’’, que não pôde aceitar por conta de seu contrato com a Globo. Sua imagem ainda é tão associada à da Ritinha que a publicidade das fotos que fez para a Playboy, em 96, se referiam à personagem. ‘‘Estou apostando na Inês’’, arremata Isabel, logo liberando um de seus inevitáveis sorrisos.

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