SENSIBILIDADE E CRIATIVIDADE - Crianças recriam o mundo através da arte
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segunda-feira, 14 de abril de 2008
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
Papéis das mais diferentes texturas, tamanhos e cores. Pincéis, cola, tesoura, tinta, lápis de cor, giz de cera, madeira, argila. Com estes materiais e aplicando diferentes técnicas, crianças participantes da Oficina de Arte Contemporânea têm a possibilidade de sentir, pensar, interpretar e recriar o seu mundo com sensibilidade e criatividade. ''A proposta da oficina é oferecer um espaço para a criança vivenciar e desenvolver a linguagem das artes plásticas como forma de conhecimento. Aqui as ensinamos a pensar sobre o que estão produzindo. Não é apenas a técnica pela técnica'', explica a arte-educadora Juliana Miranda de Freitas.
O projeto proposto pela Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina (UEL) existe desde 1996 e já ocupou diversos espaços. Atualmente, os alunos contam com uma sala repleta de materiais e amplas mesas na própria Casa de Cultura para dar asas à imaginação. Vinte e quatro alunos, com idades entre 8 e 13 anos, dividem-se em duas turmas para as aulas que são realizadas semanalmente - às quintas e sextas-feiras. A oficina é semestral e gratuita. Os alunos são selecionados segundo a ordem de inscrição.
Segundo a arte-educadora, a opção pela Arte Contemporânea explica-se pela resistência que muitos apresentam em compreendê-la. ''Os artistas contemporâneos utilizam-se de diversos veículos para expressar o pensamento. Hoje, a obra de arte não está mais presa à parede, mas ganha espaços em instalações'', aponta.
Juliana destaca que os alunos estão na terceira aula, mas já percebem o significado de questões plásticas, tais como espaço, composição, desenho, cor. ''Procuro trabalhar com exemplos próximos para ensinar conceitos das artes visuais. As crianças são livres e soberanas para desenvolver o trabalho sobre a proposta apresentada'', afirma. No dia em que a reportagem da Folha visitou a oficina, os alunos trabalhavam a tridimensionalidade com os papéis kraft e Paraná. A proposta era construir um objeto que remetesse a uma pessoa pela qual a criança tivesse afeto ou desafeto.
Apreciadora das obras de Portinari e Van Gogh, Isadora Teixeira Borian, nove anos, utilizava fita crepe, papel kraft e Paraná para montar uma televisão. ''A minha amiga adora ver TV'', revela. Erick Emanuel de Oliveira e Silva, oito anos, que sempre gostou de desenhar e pintar, montava um estojo para a amiga da escola. ''Ela sempre me ajuda no que preciso e o objeto me fez lembrar dela'', conta. Vitor Lima, 10 anos, construía uma casa para o amigo que, assim como ele, também gosta de jogar The Sims (jogo virtual que simula a realidade).
Além do trabalho manual, as crianças aprendem sobre os artistas e obras contemporâneas por meio de livros de bienais, acesso à internet e visita às exposições da Casa de Cultura. ''Apesar de montar um cronograma de aulas, o aluno também traz muitos questionamentos e procuramos trabalhá-los durante a oficina'', revela a professora. Desenvolvimento da capacidade de percepção, criatividade, reflexão sobre o próprio trabalho, socialização e respeito ao material compartilhado são alguns dos benefícios proporcionados pela oficina, sublinha a arte-educadora. ''Instigada à reflexão, a criança muda o seu olhar e passa a perceber que a arte não precisa ser necessariamente bela e uma representação da realidade'', pondera Juliana.
Com espaço, diversidade de materiais e liberdade de criação, os alunos apontam as diferenças entre a Oficina e as aulas de Educação Artística da escola. ''Estou gostando muito da Oficina. Sinto que estou mais criativa. Aqui temos a liberdade de usar o material que quisermos e também podemos ir para o chão. Lá na escola é a mesa e pronto'', compara Isadora. Laura de Barros Cherubin, nove anos, foi inscrita na Oficina pelo pai. Ela comenta que começou a frequentar as aulas a contragosto, porém, agora, está aproveitando o curso. ''Sinto diferença entre as aulas daqui e da escola. Temos a possibilidade de trabalhar com outros tipos de materiais'', conta. Vitor também ressalta a possibilidade de diversificar. ''Na escola só tem lápis.''


