O direito da criança à alfabetização sendo respeitado, a preservação da cultura índigena e a educação sendo utilizada para mudar duras realidades. Todos esse elementos traduzidos em uma única imagem levaram repórter fotógrafa da Folha de Londrina Gina Mardones a ficar entre as cinco vencedoras do concurso #EachDayISee" (em tradução livre, "Cada Dia que Eu Vejo"), promovido pelo Banco Mundial. O resultado foi divulgado na última terça-feira e as fotografias premiadas serão exibidas na sede do Banco Mundial em Washington (EUA), além de serem publicadas em um livro que será lançado pela instituição.
Cerca de 1,4 mil pessoas participaram do concurso, promovido por meio de votação popular realizada no perfil do World Bank no Instagram. "Qualquer pessoa do mundo todo podia se inscrever. Bastava publicar uma fotografia no instagram com a hashtag do concurso. E seguir a temática pedida, que era retratar algum fato do cotidiano que nos tocasse e servisse como inspirar e motivar mudanças em situações de extrema pobreza", relata Gina.
Única representante do Brasil entre as vencedoras - as outras premiadas são da Colômbia, Equador, Sudão do Sul e Quênia -, a imagem da repórter fotográfica da FOLHA foi realizada na aldeia indígena do Salto Apucaraninha (próximo a Tamarana, na região metropolitana de Londrina). "No meio do ano passado surgiu essa pauta no jornal com o objetivo de valorizar a importância do acesso à educação na própria aldeia, onde os alunos são alfabetizados na linguagem caingangue. No momento em que fiz a foto me senti muito tocada pois a imagem é muito espontânea. Não teve nada armado e também não utilizei nenhum filtro ou efeito. A luz é natural e a menina olhou para a câmera naquele momento sem que ninguém pedisse", afirma.
Quando ficou sabendo do concurso pela internet, Gina conta que não teve dúvidas quanto à fotografia que publicaria. "Sabia que tinha um imagem com potencial, mas não esperava ficar entre as finalistas", conta. A esperança foi fortalecida quando ela foi selecionada para a segunda fase do concurso. "Fiz minha inscrição em janeiro e graças aos amigos e familiares que votaram em mim fiquei entre as 20 finalistas, sendo a única brasileira presente nesta fase do concurso. Quando percebi que tinha chances reais de vencer comecei a pedir com mais ênfase que me ajudassem a divulgar minha foto", lembra.

Imagem ilustrativa da imagem Sensibilidade ao olhar
| Foto: Gina Mardones/Divulgação
Foto premiada foi tirada na aldeia caingangue do Salto Apucaraninha


A campanha deu certo e tomou proporções que surpreenderam a repórter fotográfica, que não sabe exatamente quantas "curtidas" obteve durante o concurso. "Teve tanta gente do Brasil e do mundo todo me dando parabéns e elogiando meu trabalho que me senti surpresa, grata e motivada ao mesmo tempo. Vencer esse concurso teve um gostinho especial por poder contar com a colaboração de tanta gente que assim como eu se sentiu tocada por essa fotografia tão expressiva", enfatiza.

Outras premiações
Esta não foi a primeira vez que Gina teve seu trabalho premiado. Em 2010 uma fotografia produzida por ela ficou em segundo lugar no concurso "O Olhar da Mulher Sobre Londrina", promovido pela secretaria municipal da Mulher. Por quatro anos consecutivos, entre 2011 e 2014, suas imagens foram publicadas no livro "O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro" (Editora Europa).
Natural de São Bernardo do Campo (SP) e graduada em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, a fotógrafa está radicada em Londrina desde 2010. "Logo que me formei vim pra cá fazer especialização em Fotografia na Universidade Estadual de Londrina (UEL), depois me mudei para Franca, onde trabalhei em um jornal, e voltei para Londrina para trabalhar na FOLHA", detalha.
Apaixonada por pautas ligadas à educação, Gina diz que as recentes premiações que conquistou servem de motivação para continuar registrando belas e impactantes imagens. "Quando comecei a faculdade de jornalismo planejava escrever textos, mas no último ano do curso descobri a fotografia. Acho que quando a gente consegue colocar nossa leitura de mundo dentro de uma imagem não cabem palavras para traduzir o momento", conclui.

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