Senhora dos céus
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de abril de 1997
Sílvia Herrera Agência Estado 
A americana Linda Finch, de 46 anos de idade, decolou no último dia 17 de março de Oakland, Califórnia, pilotando um Lockheed Electra construído em 1937, para completar o sonho ideaiizado por sua compatriota Amelia Earhart: dar a volta ao mundo num avião. Ela chega ao Brasil hoje com pouso previsto para as 19 horas, no aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza, Ceará. No dia 8, segue para Natal, Rio Grande do Norte, e em seguida continuará sua aventura pelo mundo.
Foi há exatamente 60 anos, em 17 de março de 1937, que a pioneira Amelia Earhart iniciou sua viagem rumo ao ponto mais longo do globo terrestre - o Equador - seguindo uma rota jamais concluída por nenhum piloto. Alguns anos antes, em 1928, ela já havia conseguido a proeza de se tornar a primeira mulher a cruzar o Oceano Atlântico em um avião, ainda que como passageira, num arriscado vôo com 20 horas e 40 minutos de duração. Depois disso, e empolgada com a experiência (mesmo como passageira, mulher nenhuma se atrevia a passar por uma aventura como aquela), Amelia resolveu comprar um Loockheed Vega e participou do 1º Womens Air Derby, entre Santa Mônica (Califórnia) e Cleveland (Ohio).
Depois de novas aventuras, finalmente ela partiu para tentar realizar seu grande sonho, em 17 de março de 1937. Decolou de Oakland mas, na segunda etapa da viagem, quando decolava de Honolulu, seu avião sofreu alguns danos. Os funcionários da Lockheed trabalharam como voluntários, para ajudá-la, e então ela decolou novamente. Depois de um percurso de 22 mil milhas, o avião desapareceu num vôo entre Lae (Nova Guiné) e Ilha Howland (EUA). Ela e o avião nunca mais foram encontrados, mas sua coragem, seu pioneirismo e sua determinação jamais foram esquecidos.
Amelia acreditava que os limites assumidos por cada pessoa não são reais. São impostos pela sociedade e por nossos próprios medos e, portanto, podem ser superados- comentou Linda Finch, pouco antes de iniciar sua viagem.
Marco tecnológicoDepois do Brasil, Linda cruzará o Oceano Atlântico rumo a St. Louis, no Senegal. Atravessará o continente africano, fará uma escala em Karachi (Paquistão) e depois de cruzar diversos países asiáticos descerá em Darwin, Austrália e em Lae, na Nova Guiné, de onde iniciará a viagem de volta aos Estados Unidos.
Karl J. Krapeck, presidente da Pratt & Whitney, que patrocina a viagem, o motor WASP utilizado no Electra 10E de Linda foi um marco tecnológico da empresa. Além de ser gostar de aviação, Linda Finch trabalha na área de saúde e previdência, coordenando enfermarias e comunidades de aposentados. Hoje em dia, dos 15 modelos iguais ao utilizado por Amelia Earhart, restam apenas dois em todo o mundo.
Tudo foi planejado para que a viagem fosse bem parecida com a de Amelia. O avião tem inclusive as mesmas cores e desenhos do modelo usado na viagem de 1937. Os motores passaram por um trabalho de completa recuperação e, por questões de segurança, apenas os sistemas de comunicação e navegação foram modernizados.
Linda admite que a viagem tem lá os seus riscos, mas garante que também neste ponto as semelhanças com a viagem de Amelia são grandes. Inclusive no aspecto referente à coragem: Amelia costumava dizer que, tendo confiança em si mesma, tudo é possível e todos os sonhos podem ser realizados- avisa ela.


