Senhora do jazz
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segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Reportagem Local 
A pianista e compositora Carla Bley é uma referência no mundo do jazz. Aos 72 anos, esta californiana de nascimento e nova-iorquina de coração tem um currículo extenso, no qual se sobressaem diversos prêmios e honrarias, como o Oscar du Disque de Jazz, o Guggenheim Fellowship e o Prix Jazz Moderne (da Academia Francesa de Jazz). Por dez vezes, apareceu na lista anual da revista Downbeat, a bíblia do jazz, ora como melhor compositora, ora como arranjadora.
Carla foi, ainda, figura importante e pioneira no desenvolvimento de selos independentes, dirigidos pelos próprios artistas. Entre os diversos músicos com quem trabalhou estão Charlie Haden, Phil Woods, Jack Bruce, George Russel, Art Farmer, Robert Wyatt e Nick Mason, baterista do Pink Floyd. Agora, a artista se prepara para vir ao Brasil pela terceira vez. Ela apresentará no TIM Festival 2008 (22 de outubro em São Paulo; 24 no Rio; 25 em Vitória) as músicas de seu 27º álbum, ''The Last Chords find Paolo Fresu'', lançado em 2007.
Esta não será a sua primeira vez no Brasil. O que se lembra das suas outras visitas ao país?
Esta vai ser minha terceira visita. Estive há 12 anos em São Paulo e há oito, também na mesma cidade. Nunca visitei o Rio de Janeiro, por isso estou animada. Acho que vai ser interessante. Sobre as minhas expectativas, na verdade tenho conversado com alguns jornalistas brasileiros e eles têm me contado como é o TIM Festival e também me falaram das outras artistas com quem dividirei a noite. Fiquei sabendo também que o Sonny Rollins vai tocar no mesmo festival e achei muito especial. Não sabia muito o que esperar, mas agora, ao conversar com estes jornalistas, tenho uma boa idéia do que me espera e estou animada.
Como vai ser o seu show?
Será minha segunda apresentação com Michael Rodriguez (trompetista) e a primeira foi incrível. Tocamos juntos em Israel. Agora tenho certeza de que fiz uma boa escolha e estou animada de tocar com ele novamente, e no Brasil. Para mim é tudo novo e excitante.
E durante o seu tempo livre, já tem planos?
Só o que me interessa é comer bem.
Alguma preferência?
Bem, acho que não me é permitido comer feijoada porque é muito pesado, mas quem sabe um bom arroz com feijão, algo bem simples mas bem-feito. Ah, e com farofa! Sempre que vamos ao Brasil trazemos um monte de ingredientes pra casa, como feijão preto, farofa e também vamos aos mercados e experimentamos manga, maracujá e todas as frutas e vegetais diferentes e maravilhosos que vocês têm.
A comida é muito importante na sua vida, não?
Com certeza. Se tivesse tido que escolher outra carreira provavelmente seria uma cozinheira. Comer bem é muito importante para mim e o Steve (Swallow, guitarrista de sua banda).
Pretende trazer algum souvenir culinário em especial quando voltar a Nova Iorque?
Com certeza. Além de muito feijão na mala quero comprar uma nova panela de barro. A que tenho está caindo aos pedaços.
Como tem sido a sua rotina de trabalho ultimamente?
Tenho feito muitos shows. Mas, para mim, o verdadeiro trabalho acontece em casa, no meu escritório e ao piano. Tenho trabalhado num novo álbum que vai ser gravado em dezembro e tem um tema natalino. Mas não vou tocar canções de Natal no Brasil não, viu?
Já sabe como vai ser o repertório para as apresentações no Brasil?
Vai ser o Banana Quintet, que é bastante longo. São cinco ''bananas'' diferentes, com aproximadamente 35 minutos. E vou tocar uma obra que estou compondo com Michael Rodriguez e vou tocar uma canção antiga minha, que será surpresa.
Como é a sua relação com a música brasileira?
O mundo inteiro ama a música brasileira e eu não sou diferente. Quando tinha 20 anos e escutei pela primeira vez Tom Jobim, João Gilberto e todo aquele grupo, me apaixonei de cara. Por isso me forcei a não pesquisar a música brasileira a fundo, porque acredito que a gente não deve imitar aquilo que nos encanta. O segredo é deixar a influência chegar por outras vias, mas não tentar imitar. Tem que manter o próprio estilo. O que costuma acontecer é que quando vou ao Brasil eu volto com uma idéia nova que não existia antes da viagem. Nunca é nada muito consciente, mas sempre é uma grande força. É muito forte a influência que o Brasil exerce sobre mim...


