Senhora do destino
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de janeiro de 2014
Luana Borges<br> TV Press 
Andréia Horta se define como uma atriz criadora. Aos 30 anos e com a segurança de quem sabe exatamente o que quer, ela acredita ser, como intérprete, responsável pela própria trajetória. Por isso, conduz sua carreira na direção que mais lhe instiga. E sente orgulho dos trabalhos que acumula na televisão até agora. Entre eles, séries como "A Cura" e "Alice" e novelas como "Cordel Encantado" e "Chamas da Vida", da Record. "Eu venho chegando de uma maneira muito sólida, com trabalhos sólidos. Acho que foi uma construção bonita", avalia ela, que volta ao ar em "A Teia", na pele de Celeste, a partir de terça-feira, às 23h.
Na série policial de Carolina Kotscho e Bráulio Mantovani, Andréia encarna uma ex-prostituta que se envolve com Baroni, de Paulo Vilhena. Ele é o chefe da quadrilha da qual o pai de sua filha, que está preso, faz parte. É durante as visitas ao parceiro na cadeia que a personagem o conhece e os dois acabam se apaixonando verdadeiramente. "O que mais me chamou atenção na Celeste é que é uma mulher comum, inteligente, que se vira como pode e tem uma articulação muito silenciosa de como faz isso. Acho muito interessante", descreve.
Como preparação para a série, que foi gravada no primeiro semestre de 2013, a atriz participou de leituras de mesa com o elenco. Não investiu em pesquisa de campo, mas em entender o passado de Celeste, através de informações dadas pelos autores, para desenvolver uma consistência cênica. "Eu me dedico a inventar uma pessoa que tem um passado, que tem um jeito de mexer no cabelo, de olhar, de respirar, que tem um jeito de andar...", frisa.
Em "A Teia", você aparece em cena com mechas louras e roupas bem justas. Que importância a caracterização tem para o seu trabalho?
É fundamental. A prova de roupa, para mim, começa sendo o momento mais importante porque, junto com o figurinista, vejo se é aquela roupa mesmo. E o figurinista, geralmente, já está envolvido com o processo antes da gente, ele está preparado para pesquisar o visual de cada um. Quando nós chegamos, já tem o desenho do figurino daquele personagem e vamos provando as roupas para ver o que é bom e o que não é. O figurino da Celeste é o meu segundo ponto de partida.
Qual é o primeiro?
É que o figurino chega em um momento em que eu já sei sobre a personagem, que já li todos os capítulos. Então, na prova de figurino, eu também estou entendendo do que estamos falando. Aí, fomos construindo juntos. A direção bate o martelo também. É um trabalho bem coletivo.
Sua trajetória na televisão é pautada por projetos que variam entre séries mais conceituais, como "Alice", da HBO, e "A Cura", da Globo, e novelas, como "Cordel Encantado" e "Amor Eterno Amor". Atuar em formatos diferentes é uma busca sua?
Acho que sim. Fico muito feliz com minha trajetória até agora. Pude revezar, em um trabalho depois do outro, coisas diferentes. Desde lá do começo em "Alice" e depois com "A Cura", que eram completamente diferentes. "Cordel Encantado" era novela de época e, em seguida, fiz "Amor Eterno Amor", uma comédia escrachada. E saí disso para esse drama de bandido em "A Teia". Depois, para uma mulher com leucemia, com dois filhos, sofrida, que morre em "Sangue Bom". Então, fico muito contente.
Como faz para se diferenciar entre um trabalho e outro?
Busco no ser humano. Acho que meu ofício é ter a responsabilidade de mostrar o homem para o homem, o que ele tem de terrível e de maravilhoso. É ser um espelho mesmo. Por isso que eu acho que fazer televisão é uma coisa tão importante.
Como assim?
Porque a televisão geralmente trata de temas muito atuais e tem muito alcance. Assim como é a função da dramaturgia teatral também: sempre tratar de um tema ou universal ou contemporâneo, mas falando do homem e suas questões.
Em seus trabalhos, você costuma transitar entre humor e drama. Sente-se mais confortável em algum gênero?
Gosto de transitar para viver. Mas tenho uma queda forte pelo drama porque acho que ele possibilita vasculhar coisas que não se sabe dizer, vasculhar onde dói. Agora, a inteligência tem de estar em funcionamento quando você faz comédia. A inteligência de tempo, de respiração. Comédia é um exercício de inteligência.
A tevê costuma criar estereótipos e aproveitar atores naquilo que eles já funcionaram anteriormente. Mas você não é taxada por um perfil específico de personagem. Você vai atrás dessa diversidade?
Claro. Primeiro porque eu acho que vai de como você assina cada trabalho. É um pouco de responsabilidade do ator, um pouco de bom senso. Ano passado, apareceram dois filmes que eu entendi que já tinha entregado para o mundo uma coisa muito parecida. Então, disse: "Muito obrigada, mas não quero fazer por isso". É uma responsabilidade nossa mesmo, depende do que você quer fazer da sua vida.


