SENHORA DAS LENTES
De Curitiba
Até 29 de agosto, o Museu Metropolitano de Arte de Curitiba abriga a mostra de fotos feitas pela fotógrafa britânica Madame Yevonde
Uma mulher de vanguarda talvez seja o termo mais corriqueiro para expressar o talento da fotógrafa britânica Madame Yevonde, uma das pioneiras da fotografia colorida da Grã-Bretanha. Parte de suas obras poderá ser conferida até dia 29 de agosto, no Museu Metropolitano de Arte e Cultura de Curitiba (MUMA). No total, 63 fotos reproduzidas a partir de negativos originais em chapas de vidro e Vivex (processo em que empregava pigmentação para se obter fotos mais nítidas). A promoção é da The British Council e Fundação Cultural de Curitiba.
Na mostra, o público poderá, por exemplo, conferir fotos que Madame Yevonde fez de várias senhoras da sociedade britânica que posarem como deusas gregas e romanas - num total de 16 obras que fazem parte de um projeto desenvolvido em 1935 e que recebeu o nome de Deusas. Mas a fotógrafa também voltou suas lentes para modelos vindos do teatro, da literatura e também figuras da aristocracia.
Em seus temas, Madame Yevonde dava um tratamento barroco em que aliava aos seus interesses como a identidade feminina e os papéis sexuais das pessoas na sociedade. Na mostra, o público ira constatar também outra faceta da fotógrafa - os trabalhos voltados para a publicidade e naturezas mortas surrealistas. Outro destaque fica por conta de oito obras comissionadas para o transatlântico Queen Mary, que chegou a simbolizar o espírito de época carcaterizada pelo estilo e elegância.
Yevonde montou seu primeiro estúdio, em Londres, em 1914. A experimentação com fotografia colorida começou a partir da década de 30. Mais precisamente em 1932 quando descobriu o processo Vivex - a artista fazia bom uso dessa descoberta mas logo precisou abrir mão por causa da Segunda Guerra Mundial, que a obrigou a fechar seu laboratório.
Apesar disso, Yevonde Cumbers, seu nome completo, continuou a trabalhar com fotografias em preto e branco até os último dias de sua vida - ela morreu aos 82 anos, em 1975. Entretanto, essa sua fase colorida, que aconteceu apenas na década de 30, continua chamando a atenção pela originalidade e exuberância.
O pioneirismo Yevonde se deve principalmente ao fato de que os britânicos eram resistentes à inovação - a maioria dos fotógrafos de então considerava essa técnica uma moda passageira. Ela, ao contrário, acreditava tão apaixonadamente na eternidade das cores que as defendia não só em fotografias como também em palestras.
A série Deusas , além de bela, pode ser interpretada como um reforço do argumento de técnica colorida era muito mais que algo passageiro ou coisa assim. Foi a grande oportunidade que encontrou para combinar realidade e fantasia. E é através dessas fotos que a arte de Yevonde é melhor lembrada. Depois de Curitiba, a Mostra de fotografias de Madama Yevonde segue para Brasília, São Paulo e Recife.
A mostra de fotografias de Madame Yevonde poderá ser visitada até dia 29 de agosto, no Museu Metropolitano de Arte de Curitiba (Avenida República Argentina, 3430 - Portão) no seguintes dias e horários: de terça a sexta-feira, das 13h00 às 20h30; e aos sábados e domingos, das 15h00 às 18h30. Mais informações pelo telefone (41) 322.1525 (ramais 2637/2247)





