Tomie Ohtake nasceu em Kyoto, em 1913. Veio ao Brasil em 1936 visitar um irmão em São Paulo, na esperança de se libertar da sufocante tradição familiar japonesa. Por causa da 2ª Guerra, acabou não retornando ao Japão. Cosmopolita, se identificou de imediato com a Mooca paulistana. Aos 40 anos, iniciou na pintura, com quadros figurativos, mas em pouco tempo foi arrebatada pelo abstrato que ela traduz em harmonia e equilíbrio entre a forma e a cor. Apesar da presença oriental em sua criação visual, o resultado sincrético se faz presente.
Mesmo sendo introspectiva, Tomie se mostra sempre disposta a dividir sua criação com o maior número de pessoas. No Rio de Janeiro, na Lagoa Rodrigo de Freitas, flutua uma gigantesca estrela amarela. Na Av. 23 de maio, em São Paulo, a artista agradou com o monumento aos imigrantes japoneses. Também está entusiasmada com a e atual exposição no Paço das Artes, em São Paulo. Nesse espaço, ela apresenta uma obra interativa composta por uma dúzia de esculturas, feitas em estruturas em ferro, de círculos retorcidos, que se movimentam quando o visitante esbarrar ou tocar nas peças. Cada uma das esculturas possui uma modelação singular, apesar de possuirem a mesma massa e o mesmo peso, conferindo um ritmo harmônico ao conjunto.
Outro projeto de grande peso é o Instituto Tomie Ohtake, com previsão para ser inaugurado em 2001. Esse espaço pretende ser um autêntico ‘‘museu vivo’’, um local em constante movimento, com muitas exposições. Para isso, está produzindo uma nova série de pinturas. (F.F.)

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