SENHOR DO ROCK


Marian TrigueirosReportagem Local
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Paulão Rock’n’Roll: "Fiquei um tempo rodando com os Mutantes e chegamos até Salvador, essa época foi uma aventura"
Paulão Rock’n’Roll: "Fiquei um tempo rodando com os Mutantes e chegamos até Salvador, essa época foi uma aventura" | Marcos Zanutto



Quem passa pela Praça Primeiro de Maio, em frente ao prédio da Secretaria Municipal de Cultura (antiga Casa da Criança), costuma ver com frequência Paulo Cesar Troiano, o Paulão Rock'n'Roll, sentado na mureta. "Aqui é o meu escritório. Bato ponto todos os dias", brinca. Aos 66 anos, é figura muito conhecida na cidade – não só pelo visual sempre marcante, agora com barba – mas, principalmente, pela atuação como produtor no cenário da música em Londrina, sobretudo o rock. Tanto que, quando se fala em show na Concha Acústica, seu nome é imediatamente mencionado. Também pudera, entre suas épicas façanhas está a organização do festival "Colher de Chá", em 1972, em Cambé. Prestes a completar 45 anos em fevereiro de 2018, apelidado de "Woodstock Norte Paranaense", o evento contou, nada menos, com uma apresentação dos Mutantes no auge do Tropicalismo.

Um pouco distante dos shows nos últimos tempos, atualmente tem se dedicado ao seu novo programa de rádio, atividade da qual também estava longe. Além de produtor cultural, durante anos, Paulão comandou diversos programas de rock, dentre eles na Paiquerê, Graúna e Cidade. Começou em 1982, na extinta Cruzeiro do Sul. Seu antológico programa de rádio "Azylo Hotel" ficou anos no ar tocando rock, metal e blues. E, há um mês, está de volta na programação da rádio UEL FM, retornando com o mesmo nome do programa, e vai ao ar todas sextas-feiras, a partir das 21 horas, apresentando várias vertentes do rock internacional e brasileiro. Essa é uma versão mais "leve" do formato que é veiculado na radioweb Alma Londrina. "Levo algumas pessoas para conversar sobre determinado assunto no programa. Mesclo música e informação; algo que não se ouve por aí", diz.



Grande parte desse conhecimento foi adquirido em suas andanças na juventude. "Teve uma época em que ia muito a São Paulo e voltava de lá com dezenas de discos. O pessoal daqui ficava doido querendo saber o que tinha de novidade no rock internacional. Não tinha internet, né?", lembra. Foi numa dessas idas, inclusive, que conheceu o cantor Arnaldo Baptista, antes de trazê-lo a Londrina. "Fiquei um tempo rodando com a banda (Mutantes) e chegamos até Salvador. Essa época foi uma aventura". De volta à cidade, o apelido Paulão ganhou força e o estilo de vida ficou ainda mais intenso. "Depois do Colher de Chá organizei muitos outros shows e festivais menores na cidade; a grande maioria de graça, pois sempre prezei por isso. Qualquer data comemorativa era motivo. Já trouxe gente de peso para cá, vários internacionais", enfatiza.

O ritmo só diminuiu quando decidiu que queria ter família. "Se eu quisesse ter um relacionamento e formar uma família, precisava deixar aquela vida para trás." Começou a trabalhar no IGBE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e era responsável pelas equipes de censo demográfico. Um perfil difícil de imaginar para quem sempre o viu rodando na cidade pelo universo underground. Formou a família que queria: casou-se, teve dois filhos; um deles lhe deu um neto, hoje com 6 anos. "Ele não é somente meu neto, é meu amigo. Acho que sou um avô legal", diz. Essa época, contudo, durou alguns anos até retornar ao rock, onde caminhou mais um tempo realizando projetos e eventos. "Conheço muita gente e não sou unanimidade, não. Pelo contrário, sou de extremos. Tem muita gente que me ama e tem muita gente que me odeia. E eu sigo".

A vida tranquila e mais solitária de hoje, como define, em partes, se deve ao problema de saúde que enfrenta. Há um ano, Paulão está na fila de espera de transplante para receber a doação de um fígado. "Quando se excede na juventude e se encerra algo, vem a conta para pagar. A minha chegou". Mesmo com a descoberta da doença, que foi por acaso depois de um show na Concha, permanece otimista. "O programa na rádio tem sido um respiro; tenho ido atrás de coisas novas para mostrar, além da produção local que é excelente. Gosto muito desse mistério que o rádio causa no ouvinte sobre quem está falando." Se o momento não é dos mais agitados, seu refúgio no hotel onde mora tem sido os filmes, seriados e recolhimento. "Ao longo da vida conheci várias religiões e igrejas. Hoje não frequento nada, mas acredito em Deus. Não rezo, não. Fico em casa emitindo energia positiva e bons pensamentos", conclui.

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