Pablo Picasso vai ser o artista reverenciado em 1999, no que depender do Consulado da França, no Rio. Acompanhando um movimento mundial neste fim de século, de rever a obra de quem é considerado seu maior artista, pelo menos três importantes exposições do autor vão acontecer ainda no primeiro semestre desse ano, promovidas ou com o apoio dos órgãos culturais franceses, segundo divulgou o cônsul Marc Pottier no boletim informativo da Maison de France num resumo das principais atividades previstas para este ano.
A primeira exposição foi aberta na quinta-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil, reunindo uma série de gravuras em metal que o artista fez por encomenda do marchand e editor francês Ambroise Vollard durante os anos 30. Esta mostra dá partida ao que o consulado considera o verdadeiro ano de Picasso, assim como 96 foi dedicado a Rodim; 97, a Claude Monet, e 98, a Salvador Dali.
Apesar de ser espanhol de nascimento, Picasso morou boa parte da vida na França, onde ainda vive a maioria de seus descendentes e fica o principal museu dedicado a ele. Cerca de 30 obras desse museu, do período entre guerras, quando o artista exilou-se em Paris para fugir do franquismo, vão ser mostradas numa das exposições, a ser montada em julho, no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio e, logo em seguida, no Museu de Arte de São Paulo (Masp). ‘‘São telas, gravuras e desenhos de cunho extremamente político, apesar de o artista sempre ter negado sua filiação a qualquer grupo’’, esclarece Bertrand Rigot-Muller, chefe do Serviço Cultural do consulado e coordenador da mostra.
Outra exposição a cargo dele, que será levada à Casa França Brasil também em julho (e em São Paulo logo após, em local ainda não escolhido), é a de cerâmicas decoradas por Picasso, que pertencem ao neto mais velho dele, Bernard Picasso. Esta coleção chegou esta semana ao Metropolitan Museum de Nova York e de lá vem para o Brasil. ‘‘São obras pouco conhecidas pelo público em geral, que daqui vão para o museu dedicado a ele, a ser montado em Málaga, na Espanha, a partir do ano 2000’’, conta Rigot-Muller.
Além destas exposições, a programação prevê também ciclos de cinema (dedicados aos 40 anos da Nouvelle Vague, a Alain Delon e a Claude Chabrol) turnês de grupos circenses e de dança (com destaque para a coreógrafa Maguy Marin, no Festival da RioArte, em outubro) e a mostra de fotografias do antropólogo Pierre Verger, nunca mostradas antes no Brasil.ReproduçãoPicasso: primeira exposição com obras em metal já está no RioBeatriz Coelho Silva
Agência Estado

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