Mãe só tem uma, reza o ditado popular. O que não quer dizer que, necessariamente, deva ser a biológica. Na teledramaturgia, nem sempre os laços de sangue reservam as melhores histórias de amor maternal. Agora mesmo, no ar, é possível enxergar relações que são capazes de emocionar e cativar a quem assiste.
Como a sofrida Valda, de Dhu Moraes, que ameniza a carência familiar da pobre órfã Cida, de Isabelle Drummond, em ''Cheias de Charme''. Ou a ''mãe'' Lucinda, papel de Vera Holtz em ''Avenida Brasil'', que cria crianças abandonadas em um lixão. E, na mesma novela, a histriônica Monalisa, de Heloísa Perissé, que adotou Iran, de Bruno Gissoni, depois de perder um bebê. ''Quem não souber a história inicial nem percebe que o Iran não é filho da Monalisa. Todas as cenas entre os dois mostram um amor incrível. É uma mãe completamente apaixonada pelo filho'', valoriza Heloísa.
Os motivos que justificam as mães ''postiças'' são diversos. Mas a adoção de órfãos ou de crianças abandonadas ainda parece ser o mais recorrente. Em ''Aquele Beijo'', por exemplo, Marissol e Sarita, de Mary Sheila e Sheron Menezzes, foram deixadas ainda pequenas pela mãe Diva, de Elisa Lucinda. Criadas num orfanato, lá conheceram Ana Girafa, transexual mais velha vivida pelo ator Luis Salém que, ao deixar o lar, se dividiu com Eveva, de Maria Gladys, na educação das meninas. E desenvolveu uma relação meio de irmã mais velha, meio de mãe. ''Fiquei feliz porque o público aceitou bem a Ana Girafa. E esse lado maternal deve ter ajudado também. Mas o tempo todo eu me senti interpretando uma mulher, não uma transexual. Isso também fez a diferença'', avalia Luis Salém.
Em ''Máscaras'', da Record, a irmã mais velha Tônia, de Daniela Galli, também se confunde um pouco na função materna diante da caçula Luma, de Karen Junqueira. Depois que os pais morreram, Tônia, que já era crescida, precisou cuidar da irmã menor. Mas não lida tão bem com a situação no campo psicológico. ''Criou-se não só uma responsabilidade ali, mas também uma dependência. Existe uma relação de controle muito forte entre as duas que não é saudável. É algo inusitado, sendo a mais velha uma psicanalista'', analisa Karen.
Em ''Amor e Revolução'', novela exibida ano passado pelo SBT e escrita por Tiago Santiago, Olívia, personagem de Patrícia De Sabrit, também ficou responsável por duas meninas. Mas que não foram abandonadas pela mãe, e sim sequestradas pelo marido de Olívia, o vilão Filinto, vivido por Nico Puig. Na trama, ele era um dos militares que torturavam os presos políticos. E, entre esses torturados, estavam os pais das crianças. ''O que foi bacana é que essa maternidade provisória desencadeou nela a revolta contra os militares de seu próprio lar, os que eram do mal. Foi daí que apareceu o sentimento de luta que movimentou a história da Olívia'', lembra Patrícia.
Às vezes, essa relação maternal se desenvolve entre parentes. Como a avó Iná, vivida por Nicette Bruno em ''A Vida da Gente'', folhetim de Lícia Manzo exibido pelo Globo ano passado. Ela ocupou a lacuna deixada pela mãe ''madrasta'' Eva, de Ana Beatriz Nogueira, na vida da pacata Manu, de Marjorie Estiano. ''A Eva era uma mãe adoecida, com um amor desmedido por uma filha e um desamor também desmedido pela outra'', recorda Ana Beatriz.
Depois, com a tenista Ana, de Fernanda Vasconcellos, em coma por anos, foi a vez de Manu ocupar o espaço de mãe da pequena Júlia, de Jesuela Moro. ''Foi diferente e engraçado. A Manuela era filha da avó e mãe da sobrinha. A novela trabalhou bem essas novas relações familiares, que parecem confusas em alguns momentos por diferentes causas'', pontua Marjorie.

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