SEMPRE BEM LEMBRADO
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quarta-feira, 10 de outubro de 2001
Nelson Sato<br> De Londrina 
As próximas temporadas prometem. Primeiro sai um DVD, depois um songbook e em seguida uma caixa de raridades. Tudo em torno da Legião Urbana, cujo espólio ameaça tornar-se fonte interminável de pesquisa e garimpo, tal a intensificação do culto à banda após a morte de Renato Russo.
Renato morreu há exatamente 5 anos, deixando milhares de fãs orfãos pelo país. Para homenageá-lo, a MTV reprisará dois programas especiais no próximo sábado, um contando a história da banda e outro mostrando o show acústico que deu origem ao CD homônimo em 1999. Vão ao ar respectivamente às 21 horas (com repeteco no domingo às 12h20) e 22 horas (repeteco no domingo às 10h30).
Em Londrina, o grupo Legião Urbana Cover também deverá prestar um tributo ao cantor e compositor durante o show de hoje à noite no Centro de Eventos Maracaju (Av. Tiradentes, 1595). Saudado como porta-voz da geração coca-cola, expressão que registrou em um dos inúmeros hits de sua banda, Renato Russo deixou uma obra irregular marcada por grandes álbuns como ''Dois'' (1986) e ''As Quatro Estações'' (1989) e outros nem tanto e até dispensáveis como ''A Tempestade'' (1996).
Gravou dois álbuns-solo de pendor romântico, que o aproximaram de Jerry Adriani, cujo timbre de voz parecia imitar. No palco, magnetizava platéias com suas letras quilométricas e sem refrões. Messiânico, disparava discursos inflamados durante os shows, a ponto de numa única noite atacar o sucessivamente o serviço militar obrigatório, as fraudes no vestibular, os cambistas de ingressos e as eleições indiretas.
Aos poucos, trocou o tom panfletário das mensagens pela poética confessional. ''Ele tinha um poder de transformar uma frase do tipo 'sábado vou fazer uma feijoada para meus amigos' em algo comovente'' - notou certa vez Herbert Vianna. Aos que o chamavam de poeta, ele desconversava: ''Me vejo mais como letrista mesmo. Eu escrevo algumas poesias em casa, mas eu não tenho coragem de mostrá-las''.
Em 1990, depois de uma temporada nos Estados Unidos, resolveu sair do armário e assumir sua condição homossexual. Na mesma época, descobriu que tinha aids. Nas entrevistas, declarava-se dependente de álcool e cocaína. ''Infelizmente, a droga é um meio de confraternização social'' - dizia. ''No meio artístico, quando você faz sucesso, todo mundo oferece droga. E você vai pegando. O pior é a que a coisa chega a um ponto que é vergonhoso''.
Quando morreu, no dia 11 de outubro de 1996, tinha 36 anos. Começava aí uma idolatria similar a de outros astros pop que morreram precocemente e passaram a ser cultuados por jovens que não chegaram a vê-los no ápice da carreira. É o que alimenta as revisões de obra e expedições ao baú. No caso de Renato, a garimpagem só começou.
Entre as novidades a serem lançadas nos próximos meses, a primeira a chegar ao mercado é o DVD do show ''Como é Que Se Diz Eu Te Amo'', cujo CD saiu em abril desse ano. O material registra duas noites de show no Metropolitan (hoje ATL Hall), no Rio de Janeiro, em outubro de 1994. O lançamento está previsto para novembro. O songbook, por sua vez, vai trazer a obra completa do grupo com cifras e letras, além de fotos e textos de vários artistas e críticos. Talvez chegue às lojas em dezembro.
A caixa de raridades, por fim, está sendo organizada pelo jornalista Marcelo Fróes (editor da revista International Magazine) a convite da família de Renato Russo. Deve ficar pronta no começo do próximo ano. O projeto vai incluir relíquias de arquivo da gravadora EMI, gravações em rádios e TVs e pelo menos duas músicas inéditas - a versão de ''Juízo Final'' de Nelson Cavaquinho e o tema instrumental ''Grande Inverno na Rússia'', ambas registradas para o álbum ''Dois'' e excluídas depois que a gravadora mudou de planos e transformou o que seria um CD duplo em um disco simples.


