Seminário reúne Redford, Costagravas e Wim Wenders no Rio
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segunda-feira, 14 de junho de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 15 (AE) - Se vierem todos, vai sobrar tema a ser debatido. A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura promove, a partir do dia 24, no Hotel Glória, no Rio de Janeiro, o seminário Impasses do Cinema Latino-Americano e Europeu, com um time memorável de convidados: o americano Robert Redford, o italiano Gillo Pontecorvo ("Queimada"), o grego Costa Gavras ("Z"), o alemão Wim Wenders ("Paris, Texas"), o argentino Fernando Solanas ("Tangos, o Exílio de Gardel"), o português Manuel de Oliveira ("A Carta"), o mexicano Arturo Ripstein ("O Evangelho das Maravilhas") e outros dez cineastas de renome internacional.
O ator, diretor e produtor norte-americano Robert Redford organiza a maior mostra independente do cinema americano
o Sundance Film Festival, realizado na cidade de Sundance, no Estado de Utah. Entre os produtores americanos, é o que tem maior afinidade com o cinema latino-americano.
Além dos já citados, também são convidados do seminário Edward J. Olmos, Sérgio Cabrera, Michel Gomez, Fernando Trueba, Hector Olivera, Gerardo Herrero, Sandro Silvestri, Jorge Sanchez
Antonio Posueco e Pablo Rovito.
O seminário, organizado por José álvaro Moisés, secretário do Audiovisual, pretende principalmente examinar as dificuldades de distribuição do cinema latino-americano e europeu no mercado da América Latina, dominado pela indústria americana. Outros pontos são o desenvolvimento da produção, distribuição e exibição, co-produções, mecanismos de apoio à indústria - um dos convidados é o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Enrique Iglesias.
Há também a idéia de redigir um documento com o diagnóstico final do encontro para ser entregue a chefes de Estado de diversos países, além da criação de uma Assembléia dos Estados Gerais de Cinema entre a Europa e a América Latina.
O seminário pretende avaliar também o relacionamento entre empresas privadas e entidades públicas no desenvolvimento da indústria audiovisual latino-americana e européia, numa série de debates chamada Cooperação e Assistencialismo. O relacionamento entre o cinema latino-americano e o anglo-saxão também está na pauta.
A Secretaria do Audiovisual investiu nos últimos cinco anos R$ 280 milhões e ajudou a realizar 73 filmes nacionais, promovendo uma espécie de retomada produtiva no cinema brasileiro. Mas não conseguiu resolver alguns problemas crônicos do setor, como a distribuição, a garantia de exibição e mesmo um equilíbrio entre a sofisticada indústria norte-americana e a incipiente indústria nacional.
Também esta semana, o Ministério da Cultura fechou acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) proibindo a utilização de recursos incentivados para aquisição de certificados de obras cinematográficas no mercado secundário. A decisão, segundo a versão oficial, tenta impedir ações ilegais na captação de recursos.
Pelo acordo, o exame de projetos de audiovisual, incluindo seu orçamento, será feito agora apenas pelo ministério. Caberá à CVM - que negocia os certificados nas Bolsas de Valores - apenas o controle da emissão e distribuição de certificados.
Pelo menos uma nova medida vai criar polêmica: a partir de agora, os projetos de produção cinematográfica favorecidos por incentivos fiscais não poderão ter seus títulos negociados antes da entrega da primeira cópia da obra audiovisual (filme, documentário ou vídeo). O produtor terá de ter dinheiro pelo menos para iniciar o projeto.


