Seminário reúne diretores de teatro preocupados com política
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domingo, 06 de junho de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 07 (AE) - Diretores de teatro do Brasil, da Inglaterra, dos Estados Unidos e da áfrica encontram-se no Rio a partir de amanhã no Seminário Mudança de Cena, que ocorre durante três dias no Teatro Glória.
Não será um encontro de teatro meramente comercial, mas de um tipo de espetáculo que se propõe a mudar a sociedade e que tem no brasileiro Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido, o mentor e principal nome.
"Nosso objetivo é reunir todas as pessoas que fazem um teatro com preocupação política, para celebrar, trocar experiências e mostrar os últimos trabalhos, diz o coordenador do encontro, Paul Heritage, chefe do Departamento de Drama da Universidade de Londres, mas com longa vivência no Brasil. "Queremos também chamar a atenção para o nosso trabalho e unificar a linguagem teatral com a das Organizações Não Governamentais (ONGs) que financiam nossas atividades."
Pela lista de convidados já confirmados, o seminário tem tudo para ser um sucesso. A começar por Augusto Boal, que vê no encontro não só uma oportunidade de trocar experiências, mas também de fazer a sociedade e a mídia falarem de um tipo de assunto que normalmente não alcança as páginas dos jornais. "Eu
por exemplo, vou falar de minhas atividades com o teatro legislativo, que desenvolvi no tempo em que fui vereador no Rio, e continuo levando adiante em Santo André (na grande São Paulo) e na discussão do orçamento participativo, no Rio Grande do Sul."
Boal se diz curioso sobre os trabalhos que vêm sendo desenvolvidos por alguns dos participantes do encontro, como o africano Prosper Kampaore, de Birkina-Faso, e do próprio Paul Heritage, que cria espetáculos em presídios. Além deles, as estrelas do encontro serão o grupo carioca Nós do Morro, que funciona na Favela do Vidigal, na zona sul da cidade, desde 1986 e cujos integrantes se tornaram nacionalmente conhecidos como elenco de apoio do filme "Orfeu do Carnaval", de Cacá Diegues.
"Esse grupo é o melhor exemplo de uma comunidade que começa a refletir sobre seus problemas por meio do teatro e hoje tem profissionais que se destacam mesmo fora de sua área", comemora Heritage. Para ele, é importante também a participação da inglesa Cicely Berry, da Royal Shakespeare Company. "Shakespeare não é normalmente associado a um teatro político, mas a presença dela mostra que o vínculo é possível em qualquer estilo de encenação." Além das palestras e mesas-redondas que vão discutir tipos de espetáculos e os resultados obtidos, os diversos grupos vão falar também sobre o relacionamento com as instituições patrocinadoras, representadas no encontro por Stephen Stern, do World Bank; Elizabeth Leeds, da Fundação Ford; Christine Skinner, do British Council (co-produtor do seminário) e da Secretaria de Assuntos Penais de São Paulo.
"É importante a presença dessas instituições, porque assim poderemos unificar nossos discursos e trabalhar melhor", observa Heritage. "Nossos objetivos geralmente são os mesmos, mas a linguagem às vezes nos afasta na hora da ação."


