A 38ª Semana Literária do Sesc chegou ao fim neste domingo (29) ao som de “Tranqueiras Líricas”, um casamento entre a poesia do paulista Marcelo Montenegro e a música do guitarrista Fabio Brum, cuja relação entre a palavra e o som já atravessa uma década. No entanto, a tarde de domingo com clima agradável no Sesc Cadeião também foi oportunidade perfeita para outros encontros ao redor da literatura.

Ávida consumidora do livro tradicional, a socióloga Clarice Junges contou que a Semana Literária do Sesc serviu como um grande facilitador para a busca de inspiração profissional. Junges trabalha com moradores de rua no Centro Pop em Londrina e é espectadora da dura rotina de quem busca ajuda para abandonar vícios e se reencontrar com a própria vida.

“Achei essa semana muito rica, as mesas e os debates, comprei um 'monte' de livros, contos. Para mim é muito interessante profissionalmente estimular o pessoal a ler e tenho pessoas lá que têm um desejo de escrever as suas histórias de vida, então comprei várias coisas onde eu possa me inspirar para orientar, trazer noções de estilos, gêneros”, alegrou-se.

Neste caso a fonte dela foi provida pelo trabalho do jovem Rafael Silvaro, da editora londrinense Madrepérola. Com quatro anos de estrada e 50 títulos publicados, a editora é cativa na Semana do Sesc há pelo menos quatro anos, ao lado da loja Ciranda e do Sebo Sol Nascente. Estas mais voltadas ao público infantil e títulos ligados à religiosidade e esoterismo, respectivamente, configurando diversidade ao evento.

Mas, com relação à participação das crianças, o balanço desta edição é de que houve menor presença de escolas municipais uma vez que o Sesc Londrina não conta mais com o transporte gratuito.

“No período da noite aqui no Cadeião acaba sendo direcionado para pessoas acima de 16 anos e o período da manhã e tarde tivemos um fluxo um pouco menor das escolas nesse ano por conta da dificuldade do transporte mesmo. Algumas escolas particulares têm um pouco mais de possibilidade de trazer as crianças mas a rede pública, que é prioritária para nós, sentiu essa ausência do transporte, é uma dificuldade”, lamentou o técnico de atividades Rodrigo Figueiredo.

Mesmo assim, segundo ele, o fluxo de pessoas em todas as unidades do Sesc foi bom, cerca de duas mil. “Esse ano a Semana tinha como tema as diferentes vozes que possibilitam novas leituras e formas de reconstrução do ser pensante. E quem pôde acessar a programação viu que, cada um de nós têm suas particularidades e diferenças, mas estas diferenças não nos separam, elas somam força para que possamos nos reconstruir a cada dia”, avaliou.

Agora uma nova edição passa a ser preparada, em princípio, para setembro do ano que vem. Enquanto os rumos tomados pelo mercado editorial brasileiro apontam para crescimento dos investimentos em audiobooks e consolidação do ebook – livro digital – como grande facilitador do consumo de informações, qualquer evento em que o livro “físico” é o personagem principal pode terminar com a já desgastada conversa sobre obsolescência do papel.

Mas, se depender de pessoas como a estudante de Arquitetura e Urbanismo Joyce Pereira da Cunha, a substituição deve demorar. "Sou apegada ao papel", admitiu enquanto flertava com o livro de bolso, ou minibook, “Metades Inteiras”, da escritora Kau Bonnett. " Hoje, quando a gente vive em espaços cada vez menores, onde vai guardar livros se não tem espaço em casa? " - questionou.

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