Semana da dança
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sexta-feira, 11 de julho de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
ReproduçãoO Balé Nacional de Cuba fez o espetáculo de abertura e volta a se apresentar hoje em JoinvilleO 15º Festival de Dança de Joinville está nos palcos, nas ruas, nas oficinas das fábricas da cidade. Até dia 23 o município estará literalmente envolvido na dança. Ontem, aconteceu a pré-estréia do evento no Ginásio Ivan Rodrigues, com seus 4 mil lugares tomados. Alícia Alonso, a fundadora, diretora e primeiríssima bailarina do Ballet Nacional de Cuba foi a grande homenageada.
O BNC dançou ontem e volta a se apresentar hoje com um programa que inclui coreografias de seus principais espetáculos. Serão apresentados trechos de La Vivandieri, coreografia de Arthur de Saint-Leon, música de Cesare Pugni; Canto Vital, música de Gustav Mahler; O Lago dos Cisnes, com versão coreográfica de Alícia Alonso sobre o original de Marius Petipa, música de Tchaikovsky; Bonecos, coreografia de Alberto Mendes, música de Rembert Egues e partes de El Cid, criado por Massenet.
A presença de Alícia Alonso em Joinville dá um tom de importância ainda maior para o festival. A bailarina e coreógrafa é uma personagem histórica no mundo da dança. Praticamente cega, aos 76 anos ela ainda coloca as sapatilhas e vai ao palco, ignorando a escuridão dos olhos. Guia-se com segurança nos passos que não esqueceu.
Para mim é difícil deixar de dançar. É a minha vida, disse numa recente entrevista. Mas como diretora e coreógrafa do BNC, a minha necessidade artística está refletida nos bailarinos da companhia. Até ano passado ela atuou normalmente. Agora aceita somente apresentações especiais como em O Espectro da Rosa, no Metropolitan Opera House, em Nova York, em março último.
TransiçãoO Festival de Dança de Joinville chega aos 15 anos vivendo uma fase da transição. A partir de agora deixa de ser um acontecimento cujo interesse era mais restrito a bailarinos, coreógrafos e profissionais ligados à dança, para abrir-se à sociedade em geral.
Essa nova filosofia é defendida pelo presidente da Fundação Cultural de Joinville, Edson Machado, que acredita na divisão de águas. A cidade se transforma com a cultura; não é uma coisa magnífica?, pergunta orgulhoso. Ele quer o município incluído no roteiro artístico nacional, mas para que isso se concretize é preciso cuidar da casa. Teremos que nos preparar para os grandes espetáculos depois do festival, planeja Machado, satisfeito. A efervescência estava latente; era só mexer a colher. Isso foi feito, conclui.


