ReproduçãoO Balé Nacional de Cuba fez o espetáculo de abertura e volta a se apresentar hoje em JoinvilleO 15º Festival de Dança de Joinville está nos palcos, nas ruas, nas oficinas das fábricas da cidade. Até dia 23 o município estará literalmente envolvido na dança. Ontem, aconteceu a pré-estréia do evento no Ginásio Ivan Rodrigues, com seus 4 mil lugares tomados. Alícia Alonso, a fundadora, diretora e primeiríssima bailarina do Ballet Nacional de Cuba foi a grande homenageada.
O BNC dançou ontem e volta a se apresentar hoje com um programa que inclui coreografias de seus principais espetáculos. Serão apresentados trechos de ‘‘La Vivandieri’’, coreografia de Arthur de Saint-Leon, música de Cesare Pugni; ‘‘Canto Vital’’, música de Gustav Mahler; ‘‘O Lago dos Cisnes’’, com versão coreográfica de Alícia Alonso sobre o original de Marius Petipa, música de Tchaikovsky; ‘‘Bonecos’’, coreografia de Alberto Mendes, música de Rembert Egues e partes de ‘‘El Cid’’, criado por Massenet.
A presença de Alícia Alonso em Joinville dá um tom de importância ainda maior para o festival. A bailarina e coreógrafa é uma personagem histórica no mundo da dança. Praticamente cega, aos 76 anos ela ainda coloca as sapatilhas e vai ao palco, ignorando a escuridão dos olhos. Guia-se com segurança nos passos que não esqueceu.
‘‘Para mim é difícil deixar de dançar. É a minha vida’’, disse numa recente entrevista. ‘‘Mas como diretora e coreógrafa do BNC, a minha necessidade artística está refletida nos bailarinos da companhia’’. Até ano passado ela atuou normalmente. Agora aceita somente apresentações especiais como em ‘‘O Espectro da Rosa’’, no Metropolitan Opera House, em Nova York, em março último.
TransiçãoO Festival de Dança de Joinville chega aos 15 anos vivendo uma fase da transição. A partir de agora deixa de ser um acontecimento cujo interesse era mais restrito a bailarinos, coreógrafos e profissionais ligados à dança, para abrir-se à sociedade em geral.
Essa nova filosofia é defendida pelo presidente da Fundação Cultural de Joinville, Edson Machado, que acredita na divisão de águas. ‘‘A cidade se transforma com a cultura; não é uma coisa magnífica?’, pergunta orgulhoso. Ele quer o município incluído no roteiro artístico nacional, mas para que isso se concretize é preciso cuidar da casa. ‘‘Teremos que nos preparar para os grandes espetáculos depois do festival’’, planeja Machado, satisfeito. ‘‘A efervescência estava latente; era só mexer a colher. Isso foi feito’’, conclui.

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