SEMANA CULTURAL Aprendizado fora da sala de aula
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
A semana passada foi descontraída e repleta de novas experiências para os alunos do Colégio Estadual Hugo Simas, localizado no centro de Londrina. Os cerca de 1.800 estudantes do 1º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio deram um tempo aos livros e cadernos para participar da Semana Cultural, e constataram que a aquisição do conhecimento não se restringe à sala de aula. Oficinas, Festival de Talentos e campanha de doação de sangue foram as novidades implementadas na edição deste ano pelos professores e equipe pedagógica. Os alunos trocaram as aulas de Português, Matemática, História, Biologia, por oficinas de primeiros socorros, nutrição, origami, artesanato em sucata, stop motion (modalidade de animação que utiliza modelos reais em diversos materiais; mais comuns são a massa de modelar), automaquiagem, bijuteria, boas maneiras, bordado, Libras (Linguagem Brasileira de Sinais), découpage, culinária e street dance.
No Show de Talentos os alunos demonstraram as habilidades culturais e esportivas nas apresentações de teatro, dança, canto, ginástica, teclado, mágica, skate e flauta. Basquete, xadrez e tênis de mesa foram as modalidades desenvolvidas durante a Semana Cultural. Para estimular a participação dos alunos, todas as atividades contavam pontos para a gincana. Segundo o diretor geral do Hugo Simas, Fernando Munoz Neri, o tema da Semana Cultural 2008 foi a comemoração dos 100 anos da imigração japonesa. O assunto foi trabalhado por todos as disciplinas e o resultado pode ser visto nos cartazes espalhados pelos murais e corredores do colégio onde constam informações sobre os diversos aspectos da cultura japonesa. ''As Semanas Culturais realizadas pelas escolas costumam privilegiar os jogos e a parte pedagógica; quisemos inovar para que o evento se tornasse mais atrativo para os alunos e aproximasse a comunidade escolar. Este semestre não possui feriado e uma semana diferente tira a tensão de todos; descontrai os estudantes, principalmente os que se preparam para o vestibular'', justifica o diretor. ''É a oportunidade de os alunos se socializarem, aprenderem algo do cotidiano, além de discutirem a importância de ajudar o próximo. A filosofia do colégio é formar um cidadão integral, com formação política e social e não apenas voltada à educação formal'', complementa a diretora auxiliar Ubiracy Cleuza Lobo Moreira Silva.
As oficinas foram realizadas na terça-feira para os alunos dos três turnos. Cada um poderia escolher uma oficina para desenvolver as atividades. A de street dance (dança de rua) teve grande número de participantes. Sob a batida forte da música, Jhenifer Fernanda Cogorni, 14 anos, movimentava-se de forma sincronizada e precisa. ''Escolhi esta oficina porque estou acostumada a dançar. Acho que aprenderei muito nesta tarde'', afirma. A estudante ainda dançaria e jogaria vôlei durante a Semana Cultural. ''É interessante porque distrai a todos e saímos da rotina de estudos'', justifica.
O colégio pôde contar com talentos da casa para ministrar as oficinas. A professora de Língua Portuguesa e fã de culinária Zilda Azulini Correa ensinou bolo de caneca para a garotada. ''Escolhi essa receita pela facilidade e rapidez no preparo (vai no microondas). A oficina serve de estímulo para que os alunos cozinhem sozinhos e possam até fazer um agrado para a mãe. Estou surpresa com o número de participantes, principalmente meninos'', comenta. A professora ressalta a união e colaboração de toda a comunidade escolar para que as oficinas fossem realizadas.
Funcionárias de uma perfumaria e de uma loja de cosméticos foram convidadas a ministrar oficina de automaquiagem. Atenta às explicações sobre como disfarçar as olheiras e espalhar a base no rosto, Paula Rodrigues Duarte, 12 anos, gostaria de aprender alguns truques para melhor utilizar o seu rímel, batom e sombra. Vaidosa, Paula ainda desfilaria na abertura do Show de Talentos com o kimono, traje típico japonês.
Na oficina de bijuteria os alunos utilizaram contas, miçangas, bolinhas e argolas para montar um chaveiro em formato de flor. As turmas de 5 e 6 séries montaram um porta-caneta estilizado com fotos de clássicos do cinema na oficina de découpage. ''As oficinas são enriquecedoras tanto para os alunos quanto para os professores. Todos estão bem comportados para aprender algo que é diferente e interessante'', ressalta a professora Vanda Fátima Vinhotte de Souza. Na de artesanato em sucata, a caixa de leite transformou-se em uma bonita embalagem para presente utilizando-se papel de revista e gliter. A professora Alfredina Conceição Pascholatti aproveitou a experiência adquirida em cursos de cerimonial e eventos e de boas maneiras para ensinar a disposição de diferentes tipos de mesas e como aprimorar os modos. ''Deve-se colocar pouca comida no prato e mastigar devagar. A bebida também não pode encher o copo'', ensina. A professora também aproveitou a oficina para reforçar regras muitas vezes desrespeitadas pelos alunos. ''Na minha aula ninguém utiliza boné, mastiga chiclete ou deixa o celular ligado. Estamos em um ambiente fechado'', orienta.


