Sem vale de teletransporte
Adaptação de novela de Steven Gould sobre jovem que possui a capacidade paranormal de teletransporte, ''Jumper'' chega hoje às telas do País. Tem menos de hora e meia de duração, mas parece que dura o dobro. É inane, inerte e insípida como poucas de sua espécie.
David Rice (Hayden Chirstensen) é o protagonista, alguém que um dia descobre que pode evaporar de um espaço e surgir em um outro só com a força do pensamento. Por sorte percebeu seu dom quando, adolescente, estava a ponto de morrer afogado. Anos mais tarde, se converteu em prepotente personagem que percorre o globo em questão de segundos, como fica bem explícito no prólogo do filme.
Mas como os cartões postais mais ou menos impactantes que aparecem nestes primeiros minutos não são suficientes para preencher toda a metragem, os roteiristas urdiram uma trama típica de conspiração paranóica, materializada em perigosa e poderosa seita de origem medieval dedicada a exterminar ''jumpers'' em qualquer canto do planeta, amparados no axioma de que somente Deus pode usufruir da ubiquidade. O chefe desta organização, um Samuel L. Jackson que precisa ser muito mais cuidadoso no momento de escolher os projetos em que embarca, ostenta um look tão retrô quanto ridículo-platinado.
Entre os problemas colaterais, talvez o mais grave seja que, logo depois de um arranque até curioso, o espectador já está em rota de tédio irreversível. O argumento é plano e insosso até a exaustão. Nada se explica ou se aprofunda, simplesmente se oferece um ajuntamento de imagens que manifestam as possibilidades de translação planetária do protagonista, vivendo a vida de pós-adolescente que mora em apartamento de luxo, às voltas com um anêmico drama familiar - a mãe Diane Lane (desperdiçada) abandonou o pai (Michael Rooker).
À margem de trama tão esvaziada , dos diálogos indigentes e de escassas emoções que a platéia tenta compartilhar com personagens tão pouco substanciais, as cenas de ação são sem brilho, construídas através de montagem dinâmica mas embaralhada. Esta suposta superprodução oferece efeitos especiais - e seria somente isto - que até poderiam impressionar há alguns anos. Mas o filme parece não ter acompanhado os tempos tecnológicos e globalizado que o cinema puramente de ação vive, e acaba deixando muito a desejar como festa visual, o mínimo que se espera em situações semelhantes.
O diretor Doug Liman não aproveitou o crédito que lhe deu a trilogia Bourne, e converte este ''Jumper'' num grande salto no vazio. Dificilmente haverá sequela. (C.E.L.J.)





