Sem-Terra e sem destino
Sem Destino (Easy Rider), o célebre filme estrelado por Peter Fonda e Dennis Hopper, está ocupando os pensamentos do jornalista Cláudio Tognolli e do escritor Marcelo Paiva. Um dos ícones dos anos 60, que tão bem retratou o vazio da juventude americana, poderá ser o suporte de um trabalho escrito a quatro mãos pelos dois velhos amigos, que se conheceram quando ainda eram estudantes.
Eles ainda não sabem se a idéia poderá resultar em vídeo, filme, peça de teatro, novela, romance. Estavam para se encontrar neste final de semana e discutir o projeto criarem um remake da obra americana, mas no Brasil atual com dois jovens sem-terra vivendo suas duras experiências. Seriam eles, nesta realidade tupiniquim, os personagens centrais substituindo os jovens motoqueiros no filme rodado em 1969.
As cenas se repetiriam idênticas em outras paisagens. Por exemplo na passagem dos motoqueiros por uma comunidade hippie, quando lhes é oferecida maconha, neste remake o local seria de uma tribo yanomami e ao invés de um cigarro de maconha, o alucinógeno seria um chá indígena.
A morte espera os dois rapazes materializada num burguês que não admite ver sem-terra. Pensamos em usar o mesmo discurso daquela época aplicado para um sem-terra, contou Tognolli à Folha 2 , na passagem por Curitiba, quando veio falar sobre o tema Liberdade de Imprensa, a convite do Sindicato dos Jornalistas.
Pelo tanto que já fez, Cláudio Tognolli bem que poderia colocar uns dez anos a mais em sua idade. Com 37 anos ele ostenta uma carreira profissional brilhante como repórter investigativo (daqueles que se faz passar por viciado e morador de rua, para observar o tratamento policial sobre os menores abandonados).
Teve seu livro O Século do Crime escolhido como o melhor do ano de 97, pelo júri do Prêmio Jabuti de Literatura, estudou violão clássico, tocou guitarra; fez mestrado em Psicanálise, tendo como orientador Timothy Leare, o papa do LSD; é autor de O Mundo Pós-Moderno, publicado pela Editora Scipione, que leva a filosofia ao adolescente. Hoje dá aulas nas Faculdades Integradas Alcântara Machado e assina críticas de música pop no caderno Ilustrada, da Folha de São Paulo.
Não termina aí. O inquieto ex-repórter de veículos importantes como a revista Veja, pretende lançar em breve a tese de mestrado que elaborou com a orientação de Leare: É uma tese lacaniana sobre como os chavões se formam na consciência. O título: Sociedade dos Chavões. Está terminando doutorado sobre Ideologia nas Ciências e bem aos poucos, muito aos poucos ocupa-se em escrever um romance sobre serial-killers. Não tenho pressa, diz.
A ficção que está surgindo sem pressa, terá como figura central um jornalista que descobre uma seita de serial-killers. O autor está se valendo dos anos que trabalhou na área policial para dar mais embasamento e profundidade ao texto. Conheço muito de perícia, será um livro que vai primar pela área pericial. É um repórter que investiga os assassinos, e eles são todos matemáticos. Matam sempre baseados com fórmulas matemáticas. Estou usando muita matemática e física no livro. Quero escrever com toda calma, para que saia do jeito que imagino, planeja.





