Recém-formada em Publicidade e Propaganda, Maria Luiza Milani, de 23 anos, partiu para uma temporada de um ano em Londres para continuar os estudos na área de marketing empresarial. De volta a Curitiba há cerca de um mês, a jovem conta que a distância da família e amigos enquanto esteve fora nem pareceu tão grande. Maria Luiza é de uma geração que encara a mobilidade como algo corriqueiro, valoriza o aperfeiçoamento profissional, gosta de desafios e recorre a tudo o que a tecnologia pode oferecer para encurtar caminhos.
''A Internet faz parte da minha vida, hoje o mundo é muito pequeno. Morando fora você nem sente saudade da família e dos amigos porque vê todos os dias, ouve a voz. Antes você mandava um e-mail e a pessoa demorava uma semana para responder. Hoje é tudo mais rápido'', afirma Maria Luiza, uma típica representante da chamada ''geração y''.
O termo foi criado pelo mundo corporativo para definir o perfil dos jovens nascidos a partir dos anos 80, que cresceram rodeados de equipamentos eletrônicos e que começam a ocupar os novos postos de trabalho. ''Eles têm alta qualificação e uma competitividade muito diferente da geração anterior. Não têm na graduação a possibilidade de encerrar a formação e absorvem rapidamente o conhecimento. A geração y tem na Internet sua fonte de informação e para eles mudança é algo natural'', explica o professor de estratégia e plano de negócios da Isae/FGV, Luciano Salamacha.
De acordo com pesquisa realizada pela Escola de Negócios da Universidade de Navarra, na Espanha, 91,6% da população com idade entre 16 e 24 anos se conecta à rede mundial de computadores. Contra 63,4% da população entre 35 e 44 anos. Mais acostumados à multiculturalidade, esses jovens respeitam diferentes opções sexuais, religiosas e políticas, porque valorizam sobretudo a liberdade. E isso se aplica também à carreira profissional. ''Essa geração não enxerga a empresa como fonte de carreira, não demonstram fidelidade com a empresa mas com a própria carreira'', afirma Salamacha. Segundo o professor, esta é uma geração que acredita na mudança e quer ''experimentar o mundo''.
É o que Maria Luiza tem observado entre seus amigos. ''Nossos pais trabalhavam para ganhar dinheiro e um dia aproveitar a vida. Hoje as pessoas não têm paciência de esperar o resultado. Querem aproveitar a vida agora. O trabalho é importante mas não é a vida. A gente quer tudo para agora, quer abraçar o mundo'', observa. ''Eu odeio rotina, a gente precisa de mudança. Gosto de viver correndo, de ter várias coisas pra fazer, é mais desafiador talvez'', conclui Maria Luiza.

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