Sem surpresas
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de dezembro de 2012
Geraldo Bessa<BR>TV Press 
A novidade tem voz ativa na televisão. E em se tratando de programas formatados no exterior e adaptados para a realidade brasileira, uma vez que garantem boa audiência e faturamento, é certo que a receita de sucesso será explorada pelas emissoras até o bagaço em várias temporadas, mesmo que perca o frescor.
Esse esgotamento das fórmulas pode ser observado em vários tipos de programas, inclusive, nos reality shows musicais e de confinamento. Assim como na teledramaturgia, idealizar a realidade na tevê requer bons personagens. Eles são a matéria-prima e parte importante do possível apelo popular do reality.
Com o passar dos anos, competições de talentos como "Ídolos", da Record, e "Astros", do SBT, ou programas de confinamento, como "Big Brother Brasil", da Globo, e "A Fazenda", da Record, tentam, a todo custo, buscar diferentes personalidades na ânsia de ter algum participante com história e atitudes para conquistar a audiência.
Mas a repetição de tipos e clichês acabou por enfraquecer as temporadas mais recentes, tanto do "Big Brother Brasil" que reúne um grupo de desconhecidos em uma confortável casa quanto de "A Fazenda" onde subcelebridades são confinadas em uma roça. Apesar das diferenças básicas no formato, ambas as produções investem em observar a vida de seus participantes em situações-limite durante três meses. Só que, em 2012, a Globo teve a audiência mais fria de todas as 12 edições do "Big Brother Brasil". Os 59 pontos de média da primeira, exibida em 2001, foram caindo gradativamente. Em 2010, ficou na casa dos 40 pontos, ano passado nos 31 pontos e este ano bateu nos 26 pontos de média.
Na Record, a audiência decrescente se repete em "A Fazenda". Exibida no primeiro semestre do ano, a quinta temporada do reality teve 10 pontos de média geral, número inferior aos 14 pontos conquistados na temporada de estreia. Mesmo em queda, o programa ainda é visto pela emissora como a salvação do horário nobre. Isso justifica o investimento da Record em uma nova versão de "A Fazenda", chamada "A Fazenda de Verão", onde desconhecidos disputam o grande prêmio, sob o comando de Rodrigo Faro.
Ao longo do ano, ao lado do SBT, a Record também viu a audiência de suas disputas de talento caírem drasticamente. Mesmo com inovações no corpo de jurados e na apresentação, além do inédito prêmio de R$ 500 mil, a audiência em torno de seis pontos do "Ídolos 2012" fez a Record aposentar o formato. Ironicamente, a primeira temporada da versão "kids" da disputa musical manteve-se com 10 pontos de média e já é certeza na programação do ano que vem. No SBT, tanto o "Astros" quanto o "Cante Se Puder" passam por problemas de audiência, que anda em torno de cinco pontos.
Na busca por entender o enfraquecimento de formatos semelhantes, as emissoras já se apressam em apresentar novas apostas para 2013. Pelos bons números de audiência, a Globo tratou logo de encomendar uma segunda temporada de "The Voice Brasil", que tem previsão de estreia para o primeiro semestre. A Record já tem outro produto importado para cobrir a lacuna deixada pelo fim do "Ídolos". Também nos primeiros meses do ano, a emissora exibe a versão brasileira da franquia "Got Talent", sucesso nos Estados Unidos e na Inglaterra. Enquanto isso, o SBT prepara-se para lançar uma versão totalmente repaginada de "Astros".


