A comédia sempre permeou a carreira de Renata Ricci. "Cria" do teatro musical, a atriz coleciona em seu currículo diversos projetos de humor nos palcos, como a peça "Como Vencer na Vida Sem Fazer Força", da renomada dupla Charles Möeller e Claudio Botelho. Ainda assim, participar de um programa inteiramente voltado para o gênero era uma experiência bastante distante e impensável. Até surgir o convite de Marcius Melhem para integrar o elenco do "Zorra". "Quando ele me ligou, pensei: ‘Será que não errou de Renata?’ (risos). Mas eu sempre gostei muito do humor. Afinal, é um gênero que tem a capacidade de atingir lugares que o drama não consegue. O riso sempre quebra a resistência do público", ressalta.
Apesar de lidar com um novo universo profissional, Renata preferiu apostar na espontaneidade durante os esquetes do humorístico. Por isso, não recorreu a nenhum coach ou a um longo processo de preparação para a produção. Simplesmente buscou referências no próprio teatro e nos folhetins. "É como se fosse uma novela com piadas. Não tem mais aquela comédia de exagero e cheia de bordões. É algo mais moderno, coloquial e com fortes inspirações na internet. Sou muito intuitiva. Gosto de sentir em cena e me deixar levar também", explica ela, que começou a gravar o programa ainda na reta final dos trabalhos de "Boogie Oogie". "O início foi meio tenso. Uma correria. Mas a curiosidade de trabalhar com comédia era meu motor", completa.
Mesmo em um programa semanal, Renata admite que conta com a carga horária similar a de uma novela. No entanto, o volume de cenas é bem menor por conta da quantidade de externas do novo formato. "A gente tem mais tempo para trabalhar uma sequência. Há um cuidado maior com a finalização. Mais da metade dos esquetes é gravada em externa e isso demanda muito tempo também", afirma. Além disso, a liberdade para a inserção de "cacos" e improvisos ao longo das gravações foi um dos pontos que mais chamou a atenção da atriz ao longo do trabalho. "Temos um espaço de criação enorme. Os autores sabem que não somos loucos e não vamos colocar qualquer coisa. Há uma confiança muito forte no elenco. É normal adicionar algo nas cenas. Às vezes, é tão natural que ninguém percebe", ressalta.
Natural da capital de São Paulo, Renata sempre soube que seguiria a carreira artística. Após se formar como bailarina, ingressou no curso de teatro da Fundação das Artes de São Caetano do Sul, onde permaneceu dos 14 aos 17 anos. Na época do vestibular, chegou a entrar na faculdade de Arquitetura, mas abandonou o curso logo no começo para se dedicar integralmente à carreira de atriz. "Sempre busquei fazer mil coisas. Um ator precisa ser completo. Paralelamente, estive sempre em aulas de canto e dança. Não dá para parar nunca", conta.
A entrada na televisão aconteceu através do concurso "A Nova das Oito", do "Caldeirão do Huck". Após vencer a competição, Renata conquistou um papel em "Páginas da Vida", de 2006. De lá para cá, também participou de produções como "Amigas & Rivais" e "Revelação", ambas do SBT. "Na minha cabeça, sou atriz e ponto. Sempre quis fazer de tudo na minha profissão. Desde teatro de rua até cinema. Não quero me cercear de nada. Quanto mais, melhor", planeja.

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