ReproduçãoGilberto
Gil:
lançamento
de
‘‘Quanta
Gente
Veio Ver’’
mais
parece
imposição
contratualO produto não é banal. Banal mesmo é a fórmula já tão desgastada quanto as famosas gravações desplugadas. Mas, enfim, foi ao vivo que Gilberto Gil resolveu lançar seus 34º disco - ‘‘Quanta Gente Veio Ver’’ (WEA) - que registra parte do show ‘‘Quanta’’, cuja turnê pelo Brasil, Estados Unidos, América Latina e Europa foi assistido por quase 240 mil pessoas. O lançamento oficial será feito durante o carnaval da Bahia, do qual Gil será mestre de cerimônia do trio elétrico que comemora os 30 anos da Tropicália.
Dois discos. No primeiro, uma seleção de novas e antigas pérolas de Gil, além de duas regravações de Bob Marley (‘‘Is this love’’ e ‘‘Stir it up’’) e um dos clássicos da MPB, ‘‘Copacabana’’ (Braguinha e Alberto Ribeiro). Quinze faixas. No outro, três músicas inéditas reverenciando o carnaval. Uma reverência, é bom que se diga, nada convencional.
Gil pediu os préstimos de Lulu Santos em duas faixas (‘‘Doce Carnaval’’ e ‘‘Lamento de Carnaval’’) que as transformou - de maneira interessante - numa batucada tecno, desvairadamente tropicalista. ‘‘Pretinha’’ (Gil-Kátia Falcão e João Donato), a outra faixa, é a melhor. Menos moderninha, mais singela. Percussão precisa.
E é aí que as novidades estacionam já que no todo, Gil nada mais faz que mostrar rosários de sucessos - próprios ou alheios - que, mesmo bem tratados, não acrescentam muito à discografia do totem baiano. Mais parece uma obrigação contratual ou imposição de gravadora uma vez que o trabalho chega às lojas apenas dez meses depois do lançamento de ‘‘Quanta’’.
Seja isso ou não, o fato é que ‘‘Quanta Gente Veio Ver’’ tem lá seus méritos e seus pontos altos (como a regravação de ‘‘Cérebro Eletrônico’’ e ‘‘Refavela’’). Mas, não fosse a inclusão das três faixas inéditas, o trabalho seria simplesmente dispensável. Sim, por que qual a graça de ouvir Gil cantando ‘‘Palco’’ pela enésima vez? E ainda por cima dedica a música à apresentadora Angélica.
O fato é um só: por se tratar de Gil, o disco poderia ser analisado por vários ângulos: qualidade sonora, a conhecida empatia que Gil estabelece com o público, músicos afinados, etc etc etc. Mas não se pode ficar cego ao fato de que Gil, para sempre um monstro competente, às vezes parece estar um tanto quanto acomodado e repetitivo. Então fica assim: ‘‘Quanta Gente Veio Ver’’ é apenas mais um disco ao vivo. Só que de Gilberto Gil. Que, infelizmente, desta vez, não tem muito o que dizer.

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