Bailarino não é atleta olímpico, mas boa parte dos festivais de dança adota o espírito competitivo nos palcos aproximando as apresentações de maratonas esportivas. A opinião é do coordenador geral do Festival de Dança de Londrina, Leonardo Ramos, que decidiu reformular o formato do evento para esta temporada extinguindo premiações por estilos ou categorias.
''Nas duas primeiras edições, seguimos um certo padrão de dividir os trabalhos em gavetinhas pequenas como se fossem modalidades. Isso nos incomodou porque achamos que a dança como toda linguagem artística deve ser orientada por critérios conceituais e não por medidas ou por classificações como júnior, sênior, amador ou profissional'' explica ele.
A partir dessa mudança, a mostra competitiva foi substituída pela ''Mostra Estímulo'' que premiará com R$ 1.500,00 dois dos 12 grupos do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Bahia pré-selecionados. A proposta é abrir um espaço para produções em balé clássico, danças étnicas, técnicas mistas, novas linguagens ou propostas cênicas experimentais. Os prêmios são uma forma de prestigiar e estimular a participação dos grupos.
Ramos salienta que, dentro do novo modelo, os trabalhos premiados podem não ser necessariamente os melhores espetáculos mas sim aqueles que, por exemplo, revelarem consistência dentro da comunidade em que foram realizados. Nesta terceira edição, o público também irá eleger o espetáculo de sua preferência. Será o Prêmio Impulso Sercomtel, no valor de R$ 1.000,00, atribuído ao trabalho que obter a maioria dos votos dos espectadores.
Outra inovação do Festival é a participação das companhias de renome convidadas em atividades didáticas. Agora, em vez de apenas apresentarem espetáculos, elas passam a trocar experiências com os profissionais locais da área através de ''sessões de trabalho''. Segundo Ramos, ''é uma oportunidade para bailarinos, professores e coreógrafos interagirem com a produção de companhias profissionais já consagradas no cenário da dança como o Ballet de Londrina, a Cia Virtual de São José do Rio Preto e a Cia de Danças de Diadema''.
Na mesma linha está previsto um ''talk show'' com a bailarina carioca Cecília Kersche. ''Ela é uma referência para a garotada que está se iniciando no ballet clássico'' lembra o coordenador geral do Festival. ''Com este bate-papo, queremos que ela fale sobre sua carreira e sobre sua rotina de trabalho desmistificando a aura de ídolo criada no imaginário dos mais jovens''.(N.S)

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