Albari RosaArnaldo Jabor: ‘‘Há uma fome de realidade no leitor brasileiro; quero dar um pouco de realidade ao País’’O jornalista e ex-cineasta (pelo menos até o momento) Arnaldo Jabor não se contenta em ser visto por 50 milhões de telespectadores toda vez que aparece na telinha da TV Globo, no horário do ‘‘Jornal Nacional’’. Ele - que fala hoje em Londrina sobre ‘‘Identidade Brasileira: Localidade e Globalização’’ - ainda escreve para 12 jornais (sua coluna sai semanalmente neste caderno) e agora pode ser lido também em livro. ‘‘Sanduíches de Realidade’’ foi lançado segunda-feira à noite no Colégio Bom Jesus, em Curitiba.
‘‘Tem sanduíches amargos, políticos, de memórias’’, disse ele sobre o volume que, aliás, está vendendo muito bem. ‘‘Há uma fome de realidade no leitor brasileiro; quero dar um pouco de realidade ao País’’, afirmou em entrevista coletiva, pouco antes da sessão de autógrafos.
Quem seria o responsável pelo jejum nacional? Jabor é contundente: ‘‘Os donos do poder, que mantêm a comida real longe do povo. E a comida da verdade - esta cuja falta é promovida pela mídia e pelo governo’’.
Em meio a este caos desenhado pelo cronista, desenvolve-se o trabalho que ele deseja ser ‘‘brechtiano’’. As lições que o dramaturgo alemão deixou, de que toda aparência esconde outros mundos e vidas no subterrâneo de si mesma, são linhas que orientam as aspirações do jornalista. Enfim, sua missão é ir além daquilo que se apresenta, buscar o que está ‘‘por detrás da notícia’’.
‘‘Quero descobrir o sinistro no aparentemente familiar; são muitas as realidades e as falsidades brasileiras’’, comentou. É o que ele quer. Mas sem perder a condição de comentarista, pois seu papel na imprensa não é a de investigador, muito embora algumas vezes receba denúncias.
IroniaPara colocar no ar e nos textos sua visão dos acontecimentos, Arnaldo Jabor se utiliza da ironia. É a arma mais afiada para chegar ao alvo, e cai como uma luva no entendimento do ouvinte e do leitor. Mas a televisão comporta um linguajar mais sofisticado? ‘‘Temos que acabar com o papo de que o povo gosta de porcaria. O povo é ignorante, porque não conhece. A ignorância é pela falta do conhecimento, mas burro ele não é. Burra é a burguesia. E também os que vivem do erro - esses não entendem certas ironias’’.
Ele diz que todos os dias, sem exceção, ouve nas ruas uma frase que nunca lhe cansa nem se desgasta: ‘‘Você diz coisas que gente gostaria de dizer e não sabe’’. As abordagens chegam da população mais simples, dos excluídos, os que mais têm vontade de se expressar mas se debatem com a falta de interlocutores. Não há espaço, nem canais para serem ouvidos. ‘‘É uma resposta emocionante que recebo das classes C e D’’, afirma Jabor.
Funcionário da Rede Globo, sabe dos limites nos comentários do cotidiano. ‘‘Tenho bom senso; mas em nenhum lugar eu poderia falar tudo que penso’’, argumentou. Ainda assim a liberdade que goza na emissora o deixa à vontade. Duas vezes apenas a chefia pediu calma: quando a Igreja Católica colocou seu poder de pressão, com a irritação do jornalista a um bispo que excomungou um juiz que permitira uma mulher a abortar um filho doente; e da outra vez quando chamou o senador José Sarney de minhoca. ‘‘Critique, mas não xingue’’, foi a orientação vinda de cima.
Em LondrinaA palestra que Jabor faz hoje, às 19h30, no Auditório Milton Alcover, no Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina, abre o 1º Encontro Paranaense de Contadores Públicos, o Encontro de Empresários de Contabilidade e de Profissionais de Contabilidade. Os eventos são organizados pelo Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis, Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas de Londrina (Sescon) e Sindicato dos Contabilistas de Londrina (Sincolon). Mais detalhes pelos telefones (043) 329-3473 e 324-2136.

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