Um anjo com cara de mau e olhos verdes fulminantes, que nunca teve pudor de dizer que sempre desejou muito amor,''seja de quem for''. Uma relação de bigamia com uma musa, a música, - sem esquecer nunca de muito sexo. A arte musical o tem entre os braços, pernas, boca, coração e de corpo inteiro.
Aos que ainda querem crucificá-lo aos pés da mídia, que não se convenceu em deixar de fuçar mais nos seus escândalos do que em sua voz quente, ele não dá a outra face.
''A imprensa não é juiz. Nem deus. Nem Xangô. Agora, julgar uma pessoa ou qualquer coisa que esteja viva não compete a ninguém'', ironiza Angela Ro Ro, que fará show hoje, às 21 horas, no Teatro Marista.
Para ela, em seu última show na cidade, numa das edições do Cabaré do Festival Internacional de Londrina, os londrinenses prepararam uma chuva de pétalas de rosas, o que a faz voltar agora, com uma vontade de mais uma vez encantar esse público.
Ro Ro não vem sozinha, mas traz o exímio tecladista e pianista Ricardo Mac Cord, parceiro em sete músicas do novo CD da cantora ''Compasso'' (Indie Records 2006) - desde 2001 não gravava. Ela também está aproveitando os shows para divulgar o DVD, com sucessos antigos, como ''Amor, Meu Grande Amor'', e músicas dessa nova safra, depois de seis anos sem gravar.
''O Mac Cord não é mais só o meu acompanhante. Não é mais o bom, o excelente tecladista, pianista. Desde 2001, que a gente começou a fazer algumas parcerias'', comenta Ro Ro.
A cantora, que quase enlouqueceu de dor com a morte do pai, continua amando, acima de todas as outras coisas. Tanto que confessa que costuma esquecer facilmente muitas coisas que diz, como o desejo de escrever um almanaque do sexo. Sobre essas linhas eróticas, Ro Ro afirma que preferiu colocar tudo em prática. Ao invés de literatura, andou fazendo muito sexo.
Ro Ro reaparece 50 quilos mais magra e sem um peso extra: alguns hábitos que hoje considera nocivos. ''Eu estava levando um tipo de vida que não me deixava feliz. Falei: 'Meu Deus do céu. Se não houver nenhum outro motivo na minha vida, eu tenho a música. A música me tem'', explica a cantora.
Uma ligação que a colocou de frente com amigos no programa ''Escândalo'', apresentado pelo Canal Brasil, entre 2004 e 2005. Nomes como Alcione, Beth Carvalho, a Luiz Melodia ao Barão Vermelho.
Por falar em Barão Vermelho, Ro Ro lembra de Cazuza, que para ela é simplesmente ''Cazu''. Quando estava gravando ''Prova de Amor'', Cazuza e Frejat entregaram à cantora uma fita cassete com ''Malandragem'', que ela não quis gravar.
Parceira de Cazuza em ''Cobaia de Deus'', a letra de ''Malandragem'' soou incompreensível para Ro Ro. ''Quando chegou a fitinha, falei: 'Oh Cazu, pô...' Telefonei para o Frejat e disse: 'Frejat, está linda a guitarra. É linda a música, mas a letra é doida. Eu não estou entendendo bem esse negócio de essa menina com meias três quartos, esperando o ônibus da escola''', completa.
Ro Ro lembra que ao ouvir o vozeirão atrevido e talentoso de Cássia Eller somente conseguiu agradecer por não ter colocado a voz na música.
Para ela, Cássia Eller conseguia vestir com sua voz qualquer coisa. ''A Cássia pegava Edith Piaf 'Je Ne Regrette Rien' e fazia de tudo. Conseguia dizer que 'seis virasse nove, tô nem aí' de 'If six was nine' e conseguia carimbar a música. Ela pegou 'Eleonor Rigby', dos Beatles, e sentou o pau. Olha, eu gosto muito da minha 'Eleonor Rigby', mas na voz de Eller é maravilhoso'', compara.
Escoltada por sua trajetória singular na MPB - sem deixar de fora os escândalos - Ro Ro se diverte com a possibilidade de uma autobiografia. ''Eu posso fazer é uma autobiografia não autorizada'', conclui entre um riso, uma ironia e uma ou outra palavra mais sobre o amor, o grande amor da vida de Ro Ro.

SERVIÇO:
- Show ''Compasso'' de Angela Ro Ro
Quando - Hoje, às 21 horas
Onde - Teatro Marista
Quanto - R$ 40,00 e R$ 20,00 (meia-entrada para estudantes) nos seguintes pontos de venda na Lexx, Sonkey e Livrarias Porto

mockup