REPERCUSSÃO Sem maiores alardes ‘‘O Primeiro Dia’’, novo filme de Walter Salles Júnior, não empolga crítica norte-americana Arquivo FolhaWalter Salles Júnior: entre ressalvas e elogios Guto Barra Agência Estado Walter Salles Júnior volta discreto aos cinemas norte-americanos. Um ano depois do hype de ‘‘Central do Brasil’’, que concorreu a dois Oscars em 1999, estreou no último final de semana em Nova York ‘‘Midnight’’, nome dado a ‘‘O Primeiro Dia’’, dirigido em parceria com Daniela Thomas, em 1998. Praticamente sem uma campanha publicitária de apoio, a produção teve uma recepção morna da crítica, prejudicada em parte pelo desgaste da temática da virada do milênio dois meses depois do evento em si. O problema é que parte da imprensa vem tratando a produção como a sucessora oficial de ‘‘Central do Brasil’’, com as inevitáveis comparações ao filme que fez carreira nos principais festivais internacionais entre 1998 e 1999. Apesar das ressalvas e das constantes referências ao fato de Fernanda Torres (a estrela do novo filme) ser filha de Fernanda Montenegro, as principais críticas apontaram bons destaques para a produção que estreou no Screening Room, uma das pequenas salas de arte na região de Downtown de Nova York. O ‘‘New York Times’’, por exemplo, disse que o filme é ‘‘modesto, mas muito sentimental’’. ‘‘Quando deixa a grandiosidade do evento da passagem do milênio de lado para focalizar a atenção nos personagens e seus ambientes, ’Midnight’ é interessante e ocasionamente tocante’’, diz o jornal. ‘‘Assim como o trabalho anterior, o filme encontra esperança em um esfumaçado de infelicidade geral. Seu humor, algumas vezes exuberante, deve algo ao espírito do samba, a grande contribuição do Rio de Janeiro à cultura mundial (!).’’ A revista ‘‘Time Out’’, que dedicou o mesmo espaço para a produção de Salles para filmes como ‘‘The Ninth Gate’’, de Roman Polanski, mas menos do que para ‘‘Orphans’’, de Peter Mullan, se dividiu entre ressalvas e elogios. ‘‘O filme provavelmente não chegaria ao mercado norte-americano caso Salles não tivesse se destacado com ’Central do Brasil’’’, diz a crítica. A publicação também observa que ‘‘Midnight’’ é ‘‘pior sucedido do que ’Central do Brasil’’’, mas refere-se à produção como ‘‘adorável’’ e ‘‘absorvente’’. Já o ‘‘New York Post’’ ressaltou que, por meio de ‘‘Central do Brasil’’ e ‘‘Midnight’’, o cinema brasileiro se tornou ‘‘visualmente rico’’. ‘‘Mas o novo filme é mais previsível e com menos substância’’, diz a crítica. ‘‘O filme parece mais longo porque não há realmente um motivo para a história. Uma pena, já que a atuação é sempre muito convincente e os cenários brasileiros são fascinantes.’’

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