Sem limites
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quinta-feira, 08 de novembro de 2012
Gabriela Simionato <br> Folhapress 
São Paulo - Não estranhe se, no meio de um show sertanejo, surgir um rock alternativo. Pelo menos é isso que acontece quando a dupla Leo Verão & Daniel Freitas sobe aos palcos. No repertório, os cantores misturam a canção ''Pumped up Kicks'', da banda americana Foster the People, com ''A Hora É Agora'', de Jorge & Mateus. Além disso, a dupla é responsável pelas uniões improváveis de Talking Heads com Gusttavo Lima e de Rihanna com Thaeme & Thiago. ''O público indie nos odeia, mas o sertanejo adora'', diz Daniel Freitas. Mas ele e o parceiro Léo Verão não são os únicos a arriscar na mistura de ritmos, o que é chamado no meio musical de ''mashup''.
A dupla Rick & Rangel, por sua vez, investiu em unir hits do sertanejo universitário com música eletrônica, originando a canção ''Mistura Boa''. ''Foi uma brincadeira que deu certo. É bem legal fazer essa mistura com batida eletrônica, funk, forró e até axé'', conta Rick.
Na mistura, tudo é possível. ''Evidências'', de Chitãozinho & Xororó, virou rock na mão do Hardneja Sertacore. ''Os vocais do sertanejo e do hardcore são muito parecidos pelo fato de quase sempre ter duas vozes cantando'', diz o vocalista Nigéria.
Por fim, o Jazzpira deu um tom clássico ao caipira. ''A ideia é resgatar os clássicos da música caipira com arranjos do jazz'', conta Douglas Las Casas, baterista do projeto, que tem Adriana Farias, do Barra da Saia, nos vocais.
Sem preconceito
Com tantas duplas e grupos investindo no ritmo sertanejo, não há dúvida de que o preconceito com a mistura de ritmos tem diminuído cada vez mais. ''A cabeça das pessoas está mais aberta. Dou crédito aos artistas e aos produtores, que estão mais criativos'', analisa Arnaldo Saccomani, jurado do programa ''Astros'' (SBT).
Na opinião dele, os artistas mais antigos eram muito fechados em um estilo. ''Se você sugerisse algo assim, os cantores tinham um infarto. Hoje, a garotada está aí para quebrar as regras'', brinca.
Pedro D'Eyrot, produtor musical e integrante do Bonde do Rolê, acredita que o público não tem mais a necessidade de classificar um ritmo e que gosta da variedade. ''Hoje em dia não existe mais a cultura do traidor do movimento que havia há alguns anos. Quem manda é a galera da nova geração. Para esse pessoal, não existe ser isso ou aquilo, existe liberdade de transitar livremente'', analisa.


