A grade de programação das emissoras de tevê é marcada por constante renovação. Todo início de ano é a mesma coisa: os canais lançam novos programas e avaliam a continuação dos demais. Na conta dessa "seleção natural" televisiva de produções que ficam ou são canceladas, além do retorno comercial e da importância do nome ou dos envolvidos no programa, quem manda são os números de audiência.
Quando o assunto é programas que estão há muito tempo no ar, logo é possível sentir a força dos núcleos de jornalismo e esporte da Globo e da Band. Se na Band apenas o "Jornal da Band", que estreou em 1967 sob o nome de "Jornal da Bandeirantes", aparece como exemplo de longevidade, na Globo, a lista é bem maior. Este ano, o "Jornal Nacional" faz 44 anos, o "Jornal Hoje" celebra seus 42 anos, enquanto "Globo Repórter" e "Fantástico" chegam aos 40 anos redondos.
"Me sinto velho e cansado. Mas é uma coincidência engraçada, fiz parte das primeiras equipes desses quatro programas. Ao longo dos anos, muita coisa mudou, mas todas essas produções continuam a ter o compromisso em oferecer ao público informação com qualidade", valoriza Sérgio Chapelin, que entre idas e vindas, do alto de seus 71 anos, continua à frente do "Globo Repórter".
Ao contrário do formato fechado de um telejornal tradicional, o "Fantástico" já passou por inúmeras reformulações ao longo de suas quatro décadas. Com investimentos em matérias policiais e de denúncia, pautas internacionais, dramaturgia e humor, já passaram pelo cenários futuristas do dominical nomes como Fátima Bernardes, Glória Maria e Pedro Bial. "O 'Fantástico' é quase sinônimo de final de domingo. É uma revista eletrônica superimportante para a Globo e sobrevive ao longo dos anos sem se identificar com um ou outro apresentador. É onde a marca e o passado de matérias históricas valem mais", acredita Zeca Camargo, que, atualmente, apresenta o dominical ao lado de Tadeu Schmidt e Renata Ceribelli.
Outra revista eletrônica, mas de caráter totalmente institucional, que está há anos na programação global é o "Vídeo Show", cujo apresentador mais lembrado em 30 anos de existência é Miguel Falabella. "Foram 15 anos muito felizes. O programa foi formatado para ser a celebração de tudo o que é produzido pela emissora e faz isso de forma eficiente e cada vez mais dinâmica e interativa", analisa Falabella.
Na área de variedades da Globo não tem para ninguém: o posto de mais antigo pertence ao apresentador Fausto Silva e os 24 anos no comando do "Domingão do Faustão". O domingo, aliás, é o dia que concentra boa parte dos programas mais antigos da televisão brasileira. Fiel a suas ideias, passado e reprises, o SBT mantém intacta a espinha dorsal do "Domingo Legal", programa apresentado por Gugu Liberato nos anos 90 e que agora está nas mãos de Celso Portiolli. "Programa ao vivo é muito difícil de se fazer. Me preparo bastante para cada domingo e, aos poucos, acho que consegui dar uma cara mais minha à produção", acredita Portiolli.
Na sequência, está um dos mais clássicos do gênero: o "Programa Silvio Santos". Apresentada pelo dono do SBT desde 1963, a produção passou por diversas emissoras como Globo e as extintas Tupi, Paulista e TVS. Outro "das antigas" que migrou por vários canais e encontrou abrigo no SBT – depois de uma longa temporada na Record – é o "Programa Raul Gil", que estreou em 1967 na TV Excelsior. E o humorístico mais antigo da tevê nacional ainda em atividade: "A Praça é Nossa", exibido pelo SBT desde 1987. "A grande inspiração do programa é a arte do circo. É uma receita simples, mas que permite evolução. Temos nosso público, mas investimos em novas ideias para continuar conquistando telespectadores", empolga-se Carlos Alberto de Nóbrega.

Leia também:

- Truques retomados

- Instantâneas

mockup