Sem alma
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de setembro de 2012
Geraldo Bessa <br> TV Press 
Sem didatismo e delimitação de público, muitos folhetins já abordaram a doutrina espírita com êxito. As duas versões de ''A Viagem'' e ''Sétimo Sentido'', ou tramas mais recentes como ''Alma Gêmea'' e ''Escrito nas Estrelas'', conseguiram exibir boas histórias tendo a vida após a morte como matriz dos principais conflitos da trama. Sem esquecer da base principal de toda novela: o eficaz clichê dos desencontros amorosos.
Seguindo o mesmo filão espírita, ''Amor Eterno Amor'', que chega ao fim no próximo dia 7, teve a premissa de seguir pelo mesmo caminho bem-sucedido de tramas anteriores. Mas pecou ao colocar crenças religiosas acima da história e criar mistérios sem qualquer fluidez e ritmo, tornando a maioria dos acontecimentos da trama, escrita por Elizabeth Jhin - mesma autora de ''Escrito nas Estrelas'' -, enfadonhos.
Por muitos capítulos, nada realmente relevante e interessante aconteceu em ''Amor Eterno Amor''. E fatos importantes da história, que o público já sabia que iria acontecer, demoraram muito para irem ao ar. Carlos/Rodrigo, de Gabriel Braga Nunes, custou a sair do Pará, a encontrar sua verdadeira mãe, sua real identidade e a descobrir a maldade que o cerca. Em tempos de internet e de tramas com andamento e cortes cada vez mais rápidos, parecia que o protagonista estava em eterno 'slow motion'. Por sorte, a boa atuação de Gabriel Braga Nunes conseguiu dar charme ao personagem, fazendo com que o peão não seja lembrado apenas como um lento e chato kardecista.
Aliás, o grande mérito de ''Amor Eterno Amor'' está nas atuações. Com sua vilã exagerada, Cássia Kiss Magro volta a se reinventar na dobradinha com o sempre eficiente Luis Melo.
No núcleo paraense da trama, o casal interpretado por Pedro Paulo Rangel e Vera Mancini rendeu boas gargalhadas bem ao estilo dos folhetins das seis. Assim como chamou a atenção o ''timing'' de Daniela Fontan para as tiradas de sua Gracinha. Principalmente, nas cenas com André Gonçalves.
Entre os protagonistas, além do desempenho de Gabriel Braga Nunes, Letícia Persiles mostrou ser uma atriz que pode ir além da conceitual microssérie ''Capitu'', e Mayana Neiva enganou bem ao se passar por Elisa, o tal do ''Amor Eterno Amor'' da vida de Rodrigo, mas foi prejudicada pela entrada tardia da misteriosa personagem na trama.
Com direção de núcleo de Rogério Gomes, as cenas grandiosas dos primeiros capítulos da trama foram ficando dava vez mais escassas. O que deu a impressão de que, na medida em que a história foi perdendo força, as sequências também não tinham mais o mesmo interesse. Pela trama fraca e cenas comuns, ''Amor Eterno Amor'' chega ao fim como apenas mais uma trama do horário das seis, mas que garantiu momentos de destaque pela força de seu bom elenco, muitas vezes escondidos em papéis pequenos, como nos casos de Ana Lúcia Torre, Othon Bastos, Giulia Gam e Felipe Camargo.


