Selo Na Mosca registra rock de Salvador
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quinta-feira, 08 de abril de 1999
Ranulfo Pedreiro 
No meio do mafuá de trios elétricos e axé music, a Bahia continua produzindo um rock criativo que, aos poucos, começa a alcançar a mídia. Do reggae ao hardcore, as bandas se multiplicam, mas ainda estão longe de dar as caras pelo Sul.
O selo Na Mosca, de Salvador, deu um jeito de contornar o entrave. Apoiando a cena alternativa, a gravadora já lançou duas coletâneas que trazem uma boa amostra do cenário rocker baiano. Na Mosca - Volume 1 traz as bandas Inkoma, Via Sacra, Peacemaker, Orelha de Van Gogh, Dinky Dau e Jardim da Saudade. O volume 2 reúne Saci Tric, Tara Code, Pã, Canibal Sonic, O Óbvio, Arsene Lupin, Perebas Rock e The Jerks.
Algumas, como a Orelha de Van Gogh, investem com sucesso no crossover de MPB com blues e batuque. Já o Jardim da Saudade traz um rock mais melancólico, com toques psicodélicos e ambiente intimista. Vale destacar também a voz sensual de Andrea May nos rocks à Cowboys Junkies do Tara Code e o reggae estilizado de O Óbvio. O psicodelismo também ganha espaço no Arsene Lupin, com um baixo saliente e arranjos sutis de guitarra.
O Saci Tric, que mistura suingue e rock com originalidade, deve ganhar um CD próprio, gravado ao vivo, até o final de abril. E para maio está agendada uma nova coletânea com grupos de garagem chamada Telefanzine - Linha Direta com o Rock.
Por trás de toda essa produção, está Tony Lopes, compositor e entusiasta da cena underground. É um material de bandas que não tinham acesso à gravação. Agora pretendemos trabalhar de uma forma mais profissional, envolvendo blues, rock, pop, funk e MPB. Estamos abrindo espaço para bandas que querem divulgar, vender ou gravar um CD, ressalta. A divulgação ou encomenda de discos pode ser feita com o próprio Tony, pelo telefone (071) 334-6593.


