Selma troca o jazz pelo samba
Zeca Corrêa Leite
Fim de noite em Curitiba. A cantora Selma Baptista, que traz a marca de impecável cantora jazzista e bossanovista, comentava numa das mesas do Hermes Bar sobre sua vontade de interpretar o samba autêntico, de raiz. Dessa conversa surgiu o projeto ‘‘Quando o Samba Chama’’, encampado pela cervejaria Heinecken e Hermes Bar, que terá nesta quinta-feira sua segunda edição, com a música de Nelson Cavaquinho. O show está marcado para as 22 horas.
‘‘A minha tradição sempre foi o jazz e a bossa-nova, mas há muito tempo queria cantar samba’’, diz a artista. ‘‘O que eu buscava era algo que falasse ao meu coração, que tivesse uma poética mais próxima da minha sensibilidade. Eu já tinha cantado Chico, Djavan, mas agora queria algo mais de raiz’’.
Encontrou o caminho em Paulinho da Viola (compositor de estréia da série e de cuja música batizou o projeto), Nelson Cavaquinho, Cartola e Noel Rosa. A cada mês um autor, e depois de concluída a lista, Selma quer levar para o Teatro do Paiol um show com os melhores momentos de cada um dos quatro.
Esta música é muito recente na vida da cantora que se especializou na turma bossanovista e em americanos como Gershwin e Cole Porter. Entrar nos climas dos poetas das periferias é outra saudável descoberta. ‘‘Estou descobrindo uma lírica bonita. Fico pensando na letra, na metáfora’’, confessa. Cartola, por exemplo, tem nostalgia nas letras, mas a música é para cima, o que dá um contraste interessante.
Noel Rosa é paixão antiga, inclusive havia a possibilidade de se levar ao palco a opereta ‘‘A Noiva do Condutor’’. Gemba morreu e a possibilidade de interpretá-lo está sendo recuperada aqui. As informações jazzísticas continuam presentes: ‘‘Noel e Gershwin têm uma coisa parecida’’, detecta Selma.
Resquícios jazzísticos ficaram em sua maneira de interpretar - a mistura dos gêneros cria um ‘‘samba diferente’’, dizem os músicos que a acompanham. Enfim, como a experiência vem dando certo, uma segunda série de ‘‘Quando o Samba Chama’’ terá início em setembro.
Será a vez de gente mais contemporânea, segundo a cantora. Entre os escolhidos anuncia Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro que são seguidores da velha escola musical. A intenção é repetir a história e levar ao teatro aquilo que o público ouviu nos bares.
Selma Baptista canta hoje no Hermes Bar (Avenida Iguaçu, 2504, telefone 242-2093), a partir das 22 horas.

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