Arquivo FolhaEfigênia, a ‘‘Rainha de Papel’’: personagem de um dos filmes selecionadosO Fest Cine Vídeo - Curitiba 98, que acontece de 30 de abril a 7 de maio, terá doze horas de vídeo no total. São quase 60 títulos escolhidos entre os 175 concorrentes. Ney Sant’Annna Pereira dos Santos, que presidiu o júri, disse que a preocupação da banca não foi a escolha determinada inicialmente pelos organizadores, que seriam de 20 trabalhos por categoria. Optou-se por horas, o que fez com que a lista aumentasse consideravelmente.
A lista foi divulgada no fim da tarde de segunda-feira, depois de uma maratona empreendida por Paulo Munhoz, André Farias, Alberto Bertagna, Lúcio Aguiar, Ney Sant’Anna Pereira dos Santos e Roberto Belotti. Eles passaram todo o final de semana assistindo a cada um dos 175 trabalhos. A lista está à disposição dos interessados junto aos organizadores do festival: fone (041) 244-5355.
Os vídeos a serem apresentados têm uma amplitude de 360 graus em sua temática e características de produção. Da estética da fome à doentia vontade de repetir Hollywood - dentro dos parâmetros possíveis - há um pouco de cada coisa. O público poderá ver aplaudidos filmes como ‘‘Amar’’ (aliás, premiadíssimo) até um pinçado do Mix Brasil, com sua marca homossexual.
Ney Sant’Anna não escondia sua admiração pelo documentário dos paranaenses Tiomkim e Estevam S., ‘‘Rainha de Papel’’. Em 16 minutos conta-se a história de Efigênia, artista múltipla que trabalha com papéis de bala. O brilho e as cores do celofane ajudam a criar o seu mundo, que não perde o pé da realidade, mas tem o outro num mundo de sonhos.
‘‘Fiquei comovido porque deixaram ela contar sua história. Seria muito fácil botar um redator e contar a história dela. Porém, ela é que faz isso. É também um canto de amor à cidade, que faz fundo para as andanças de uma mulher fantástica’’.
O carioca Lúcio Aguiar criticou a maneira muito manjada de se produzir um vídeo. ‘‘Virou receita de bolo, com uma estética igual a de todo mundo, parece propaganda de sabonete’’, disparou. Ele elegeu, entre seus preferidos, o trabalho de um cineasta pernambucano, que apesar da gritante pobreza de produção, segue um caminho próprio.
André Farias observou que entre os paranaenses há duas realidades muito distintas: a dos filmes feitos com uma boa verba e aqueles sem dinheiro algum. Esse contraste guarda uma característica interessante: quem trabalhou com folga de cifrões correu atrás dos padrões americanos, sem saber exatamente o que fazer com tudo aquilo. Os mais pobres tinham idéias, limitadas pela dificuldade financeira. Coisas da vida.

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