SEGURE SEU FILHO EM CASA, SE PUDER...
Você, pai, até pode evitar Dragonball Z. Mas em algum momento deste mês você foi e ainda vai, conforme-se ver a pelo menos um entre os vários outros desenhos animados que invadiram as telas do país neste julho que mistura estilos e histórias, convidando a um convívio mais próximo com o universo em ebulição das cabecinhas em busca de maravilhas. E justo neste período, onde as quatro estações marcaram encontro às vezes num único dia, por coincidência aquele dia escolhido para a sua aventura diante dos heróis do seu filho, sejam fósseis redivivos, espaçonautas errantes ou velhos conhecidos (seus, inclusive) de longa data, como o imortal Mickey, agora de volta num dos melhores momentos da carreira. Mas vamos por partes, que o lazer é variado.
Para conviver jamais competir, porque criança acabe elegendo todos com Dinossauro e Titan, títulos já cumprindo carreira, chegam três novas atrações. A que menos interessa é uma velha novidade chamada Dragonball Z (veja a programação de cinema na página 5). Desenho japonês realizado em 1990 por Daisuke Nishio, a origem deste longa metragem é a série televisiva diariamente encontrada no Cartoon Network. Os frequentadores do canal pago sabem bem do que se trata, e quem são Son Goku, Son Gohan, Daizu, Kakao, Rakasei e Rezun, entre outros. Artes marciais no espaço sideral, personagens místicos sempre indo e vindo para salvar ou destruir a Terra, muito barulho. Enfim, material a exigir somente neutralidade cerebral, o que decididamente é pouco para a garotada. Meu pequeno assessor doméstico sentenciou que Dragonball Z, aliás Chikyu Marugoto Chô Kessen(!) é desenho confuso, violento e sem graça. Mesmo sem ter por que duvidar, profissionalmente fui conferir na telinha. Dito e feito, e com a agravante da precariedade do traço. Mas há quem goste, fazer o que ?
- O Mapa da Mina
Não há como esquecer Formiguinhaz, o desenho recente com as vozes de Woody Allen e Sharon Stone. Os principais motivos, entre outros: o argumento, delicioso, e a histórica estréia da Dreamworks de Spielberg & companhia bancando o primeiro projeto de animação. Depois deste anuncio com o recado subliminar viemos para ficar, a Dreamworks voltou à carga e reforçou a ocupação do rentável segmento com o lançamento de O Príncipe do Egito. Agora, está de volta com O Caminho Para El Dorado, outro desenho tão surpreendente quanto os dois anteriores, e reunindo um dream team. Há dois craques no roteiro, Ted Elliot e Terry Rossio, atores-dubladores de primeira linha (na versão original em inglês), como Kevin Kline, Kenneth Branagh, Edward James Olmos, Armand Assante e Rosie Perez, e canções inspiradas de Elton John em parceria com Tim Rice. A esta altura, a boa direção de Eric Bergeron e Don Paul, veteranos Disney, é quase que só uma consequência.
Espanha, 1519, os amigos Tulio e Miguel ganham no jogo um mapa que pode levá-los aos lendários tesouros da cidade perdida de El Dorado. Mas há mais gente interessada em localizar a mítica fortuna. Eles acabam no navio do explorador Hernan Cortéz, a caminho da América do Sul. São descobertos, sentenciados a chicotadas e à escravidão, mas acabam escapando num barco com seu duvidoso cavalo Altivo. Logo são levados a um lugar que corresponde exatamente às indicações do tesouro. Confundidos com deuses um gosta e o outro não, como em O Homem que Queria Ser Rei, de Kipling , encontram uma jovem sexy que adere à dupla.
Um detalhe a ser logo descoberto é que A Caminho de El Dorado é um filme sem heróis. E o que é melhor, é sobre coadjuvantes da história. Tulio e Miguel são dois seres comuns envolvidos numa aventura que não está em qualquer livro oficial, e que acabam tendo a certeza de que o valor da amizade é mais importante que o resto.
O filme não é nenhum marco na história da animação, mas é bom de ver e curtir. Com ou sem criança, mas certamente com pipoca.
- - Clássico revisitado
O Fantasia original, lançado há 60 anos, não foi com certeza um dos desenhos mais amados pelas crianças ao longo dessas seis décadas, mas sua coleção de momentos animados, compartimentados, sem conexão uns com os outros e ilustrando peças de música clássica, sem dúvida é uma extraordinária e sempre memorável experiência. Agora, Fantasia 2000 tenta provar o que dizia Walt Disney: o binômio animação-música clássica é evolutivo e renovável. O que se pode dizer, a princípio, e o título merece uma retomada próxima, em detalhes e cuidados é que a animação ganhou em perfeição, mas perdeu um tanto em poesia. Isto salta aos olhos quando se vê na tela, e inevitavelmente se compara, a sequência de O Aprendiz de Feiticeiro, musica de Paul Dukas mantida do longa de 1940, com os sete segmentos inéditos.
Na trilha de Fantasia 2000, obras de Stravinski, Gershwin, Respighi, Saint-Saens, Elgar, Beethoven e Chostakovitch. A estréia chega com um dia de atraso: o 20º Festival de Musica de Londrina se despediu ontem.





