São Paulo - Desde os atentados terroristas contra os Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, várias mudanças foram feitas na aviação comercial norte-americana para torná-la à prova de terrorismo. Revistas mais detalhadas e proibição de portar objetos cortantes foram adotadas e amplamente divulgadas na mídia. Mas uma medida em especial, e não comentada, tem surpreendido alguns passageiros. Ao ter o seu cartão de embarque marcado com a sigla SSSS, o passageiro é submetido a uma revista minuciosa em uma sala reservada na área de embarque.
A arquiteta Camila Luiz enfrentou essa situação recentemente. Na volta de uma viagem ao Canadá e Estados Unidos pela United Airlines, ela foi abordada pelo chefe de segurança do aeroporto de Chicago (EUA). Estranharam o fato de constar no passaporte da arquiteta seu nome de solteira e, na passagem de avião, o de casada.
Além de ter de retirar casacos e sapatos, todos os compartimentos de sua mala e da bagagem de mão foram revistados. Também foi feito um teste de pólvora na parte interna e externa das malas. Um policial explicou a ela o motivo de ter sido escolhida e a acompanhou durante todo o processo de inspeção, que durou uma hora e meia. ''Só soube desse procedimento quando aconteceu comigo'', conta.
Consultado sobre o caso, o consulado norte-americano afirmou desconhecer o procedimento. De acordo com Jennifer Bullock, do setor de informações, diferentes órgãos são responsáveis pela segurança em aeroportos. ''É provável que essa medida seja aplicada pelas empresas aéreas'', diz.
Em nota, a Continental Airlines afirmou que trabalha próxima ao governo dos Estados Unidos em uma série de medidas avançadas de segurança, mas diante da natureza sensível da questão, prefere não se manifestar. Por sua vez, a United Airlines confirmou a prática, mas também preferiu não comentar o assunto.
O caso mais curioso fica por conta da American Airlines. Seu departamento de segurança afirma que não aplica o procedimento. Entretanto, a analista de comunicação Melissa Fernandes tem outra história para contar. Ao viajar pela empresa para os Estados Unidos, recebeu a sigla SSSS nos cartões de embarque de ida e volta.
Ao contrário de Camila, foi dada à Melissa outra explicação para o fato de ter sido selecionada. Segundo o funcionário responsável pela checagem dos cartões de embarque no aeroporto de Eagle, no Texas, não há um critério determinado. ''É como se fosse uma espécie de loteria.''
Por conta da revista, minuciosa e demorada, a analista quase perdeu o vôo. ''Tive de sair correndo, pois já estavam chamando meu nome pelo alto-falante'', conta. Apesar do imprevisto, tanto Camila quanto Melissa consideram necessárias essas medidas de segurança. ''Não podemos reclamar, pois a situação ficou muito complicada por conta dos atentados'', avalia Melissa. Ambas, porém, gostariam de ter sido informadas sobre a possibilidade de passar por uma revista especial. ''Se a pessoa não sabe do que se trata, pode ficar bastante assustada'', avalia Camila.

mockup