Nada mais trivial do que escrever poemas de amor na adolescência. Difícil é atravessar os anos mantendo a paixão pelos versos em meio aos compromissos da vida adulta e das conveniências da maturidade. O ex-gerente de banco Antônio Ubirajara Lopes continua perseguindo as palavras. Idade? ''Tô com mais de 50 e menos de 100'' - desconversa ele.
Ubirajara é o poeta da vez no ciclo ''O Fim da Literatura'', promovido pela editora Atrito Art Editorial como parte das comemorações dos 50 anos da Biblioteca Pública de Londrina. Hoje ele faz o lançamento do livro ''Na Dimensão do Silêncio'', às 20h30, no Teatro Zaqueu de Melo.
O poeta e filho do autor, Rodrigo Garcia Lopes, e a produtora e atriz Christine Vianna participam do evento lendo textos do volume acompanhados pela gaita de Oswaldo (ET). ''Na Dimensão do Silêncio'' foi organizado por Rodrigo. Ao lado dos poemas da última safra, inclui textos selecionados do livro de estréia, ''Jardim da Vida'', publicado em 1989, além de 25 poemas traduzidos para o inglês por Christopher Daniels.
A capa foi feita por Marcos Losnak. Natural de São João da Boa Vista (SP), Ubirajara é um poeta tardio. Começou a escrever em 1980 depois de quase aposentar a vocação na juventude. Ele conta que seu primeiro poema nasceu de uma paixão de adolescência. ''Escrevi inspirado por uma garota'' - revela. ''Queria mostrar pra ela e o li antes para um amigo, a quem eu contava tudo sobre o nosso namoro. Mas aí ele falou: 'com esses poemas marvados, você não vai pegar nem a mão dela e muito menos o joelho. Queime isso'. Foi o que fiz, rasguei tudo''.
Passaram-se anos até que a poesia voltou a insuflá-lo. Quando saiu o primeiro livro, ele já lia Willian Carlos Willians, Emily Dickison, Omar Khayam e outros poetas universais. ''A poesia está enraizada'' - sublinha. ''Não escrevo todo dia. Mas armazeno tudo que vejo e percebo em volta. Sou um observador da natureza, um ecologista nato. Acordo às 5 da manhã e faço caminhadas. Presto atenção nos fatos ordinários da vida, os encontros com pessoas que vemos todos os dias, as coisas para as quais ninguém dá muita importância''.
O que mudou do primeiro livro para o segundo? ''Acho que houve um amadurecimento. Passei a traduzir melhor o que vai pelo fundo da alma'' - diz. Acompanhando a produção poética local, Ubirajara nota a presença de um certo pedantismo erudito contaminando os autores. ''Muitos escrevem de intelectual para intelectual, como se fosse uma igrejinha'' - observa. ''Um parece demonstrar que sabe mais que o outro. Assim fica difícil. Acho que um poema perde muito quando sua leitura precisa ser acompanhada de um dicionário. Na minha opinião, o poema deve ser simples para poder ser apreciado pela maioria''. O livro ''Na Dimensão do Silêncio'' será vendido a R$ 10,00. A publicação contou com verbas da Prefeitura Municipal, Secretaria Municipal de Cultura e Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

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