Seguindo Paulo pelo Mediterrâneo
Os gregos, que ergueram templos a tantos deuses, não esqueceram de construir um altar ao Deus Desconhecido, em Atenas, capital da Grécia. Foi exatamente em um dos locais mais frequentados de Atenas, o Areópago, que Paulo de Tarso falou aos gregos sobre esse Deus. O Areópago é uma pequena colina, a oeste da Acrópole, onde fica o Partenon. Na colina, que tem esse nome porque tinha um templo dedicado aos deus Ares, da guerra, era ponto de encontro de eruditos e oradores da época, além de também ter sido usado para julgamento de crimes de sangue. Conforme o capítulo 17, versículos 22 a 34, dos Atos dos Apóstolos, Paulo argumentou aos atenienses sobre fé à qual se convertera. Textualmente, ele disse: Senhores atenienses, em tudo vejo que são acentuadamente religiosos, porque passando e observando os objetos de seu culto, encontrei também um altar onde está escrito: Ao Deus Desconhecido. Pois esse que vocês adoram sem conhecer, é precisamente aquele que eu lhes anuncio.
Os gentios (pagãos) da época de Paulo, e mesmo hoje os não adeptos do cristianismo, se rendem à imponência do Areópago. Os discursos na colina devem ter sido experiências incríveis para quem falou e para os que os presenciaram. De qualquer forma, o Areópago ainda está lá, e ao alcance dos visitantes, eloquentes ou não. Ainda que pisando os passos de Paulo, ninguém deve deixar de fora do roteiro a visita aos templos pagãos, dedicados ao panteísmo farto da antiguidade. O Partenon, símbolo máximo de leveza e perfeição da arquitetura mundial, é passagem obrigatória em Atenas.
Continuando o caminho do apóstolo viajante, a próxima parada é Corinto, cidade que fica no porto que leva o mesmo nome. Paulo, avaliam os historiadores, deve ter morado em Corinto no ano de 57 d.C.. De acordo com o capítulo 18 dos Atos dos Apóstolos, Paulo foi hóspede durante um ano e meio de Áquila e Priscila, também artesãos de tendas, como ele. Por ser uma cidade portuária, Corinto tem templos em louvor ao deus Poseidon, senhor dos oceanos. O templo de Apolo, protótipo da arquitetura arcaica, de proporções atarracadas, é bastante visitado. Andando pelo que restou da cidade, a emoção bate forte, afinal, o pensamento é um só: em qual construção teria morado Paulo?
Nas viagens missionárias Paulo visitou a comunidade cristã que estava se formando em Tessalônica, cidade portuária ao norte da Grécia. Ele fundou ali uma igreja, que desde o início agupou vários fiéis, entre judeus e gregos. Em Tessalônica podem ser encontradas algumas pessoas que falam a língua portuguesa. Os portugueses, por volta do século 16, fugiram da Península Ibérica e alguns deles se refugiaram na caidade. Alguns descendentes conservam as tradições e falam a língua de Camões. Monumentos antigos do século 4 a.C. ainda existem, além de numerosas igrejas cristãs primitivas.
A viagem segue em direção a Éfeso, cidade antiga da Ásia Menor, onde atualmente fica a Turquia. Cidade emergente na antiguidade, conhecida pelas prósperas atividades bancária e comercial, em Éfeso estava o templo da deusa Artemis, o maior do mundo grego, considerado uma das sete maravilhas do mundo. Paulo, no final dos anos 50 d.C. a visitou, na condição de pregador da palavra de Cristo. São João, outro apóstolo, também esteve por lá, construindo na cidade uma basílica cristã. As ruínas deste templo são impressionantes.
Em Éfeso, de acordo com o capítulo 19, versículos 23 a 40, ocorreu uma grande confusão envolvendo dois discípulos de Paulo. Conforme os relatos, um ourives de Éfeso, chamado Demétrio, incitou os habitantes da cidade contra os cristãos, temendo perder a clientela. O ourives, que fazia nichos de prata para o templo de Artemis, juntou-se os demais colegas de profissão e convenceu-os de que estariam caindo em descrédito se os efésios se convertessem. O tumulto foi controlado por um escrivão da cidade, que defendeu os discípulos de Paulo, dizendo que eles não tinham blasfemado contra a deusa Artemis.
O Apóstolo dos Gentios também esteve na Ilha de Malta, no Mar Mediterrâneo. Paulo chegou na ilha por volta do ano 60 d.C., de uma forma trágica. O navio onde ele e mais de 200 passageiros viajavam naufragou, mas Paulo e muitos outros se salvaram nadando em direção à praia. A população da ilha converteu-se e hoje, Malta é um dos países onde predomina o cristianismo. O arquipélago, composto por três ilhas, que teve historicamente um papel estratégico muito importante, por estar na confluência entre o sul da Europa e o norte da África, tem como capital La Valetta. Malta fica a menos de 100 quilômetros da Sicília, na Itália. Paulo teria ficado cerca de três meses no arquipélago, embarcando finalmente para Roma.
Na capital do Império Romano, Paulo, conforme o capítulo 28, versículo 30, dos Atos dos Apóstolos, permaneceu em prisão domiciliar, sendo vigiado por soldados. O livro Atos dos Apóstolos interrompe aí a narração. Nesse ponto surgem duas hipóteses formuladas por historiadores. Na primeira, Paulo de Tarso teria sido morto em Roma, entre 62 e 64, na época da perseguição aos cristãos empreendida pelo imperador Nero. Outra hipótese defende que ele teria sido libertado e feito outra viagem missionária, sendo decapitado em 67 d.C., na entrada do Porto de Óstia, em Roma.





