Após mergulhar na obra de Tom Jobim em tributo que rodou o País e resultou na gravação de um disco em homenagem ao "Maestro Soberano", Vanessa da Mata volta a gravar canções autorais no recém-lançado álbum "Segue o Som", editado pela gravadora Sony Music. Mais uma vez a cantora entregou a produção do CD a Kassin e Liminha, responsáveis pela atmosfera leve e swingada dada às músicas assinadas pela matogrossense.
O disco conta com 12 faixas assinadas pela cantora e uma única regravação, Sunshine on My Shoulders, sucesso de John Denver gravado em 1973. O set list reúne diversas candidatas a hits. Entre elas a faixa título "Segue o Som" (um reggae romântico despretensioso), já em alta rotação em diversas rádios do País, "Rebola nêga" (samba-jazz ritmado que fala da violência e da corrupção), "Se o presente não tem você" (canção romântica) e "Por onde tenho você" (rock contagiante).
Contabilizando 12 anos de carreira, este é o sétimo disco de Vanessa da Mata. Em meio aos preparativos para a lançamento da nova turnê com estreia agendada para o próximo dia 25, no Circo Voador (Rio de Janeiro), a cantora concedeu uma entrevista à FOLHA por e-mail.

Você adiou o lançamento de "Segue o Som" para se dedicar à turnê e disco em homenagem a Tom Jobim. Qual o saldo dessa viagem musical pela obra do Maestro Soberano?
Foi um elixir na minha vida. Entrar da forma como entrei em sua obra me deu uma experiência como compositora nessa geração - de Tom, Caetano e Gil - mais profunda do que em qualquer outro compositor que eu tinha tido. Foi realmente muito bom ter entrado em contato com o mundo dele que é lindo, encantado, poético. Sair de Tom Jobim, que era um mundo tão específico, bonito e, para mim, com nenhuma relação com o feio, a não ser as desilusões que ele cantava em tom de poesia e vir para um mundo real faz parte de uma realidade importante. Por causa desse passeio por outro universo existe a maturidade de ter lançado um livro, de construir letras mais concisas e, ao mesmo tempo, poéticas, que é uma coisa que gosto muito.

Como você define o CD "Segue o Som"?
Acho que consegui - e combina com minha fase de vida - ter um disco solar com instrumentação forte, ritmos que gosto muito e que já queria fazer em discos passados. Do começo ao fim, eu consigo abordar temas, que são muitos difíceis, de uma maneira leve e sem ser superficial.

O novo disco é quase todo autoral e trata de vários temas existenciais. Ele reflete um momento de reflexão em sua vida?
Eu sou muito observadora, sempre fui. Gosto de uma maneira antropológica entender o que acarreta um problema ou um sintoma social dessa geração mais jovem, ou até da minha atual. Um artista é um cronista de seu tempo ou de vanguarda. Eu peço, reclamo, alerto, compartilho e aceito fazendo as minhas músicas. E clamando ideias nelas. Essa é minha maneira de me manifestar.

O exercício da maternidade (Vanessa é mãe de três filhos adotivos) influenciou de alguma forma sua inspiração para compor?
Acho que isso aparece mais no disco "Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias", que fiz inclusive uma música comemorando a chegada deles, chamada "Meu Aniversário". Com certeza influencia tudo, a maternidade é uma transformação maravilhosa.

Em pouco tempo de carreira você conseguiu conciliar prestígio e popularidade na mesma medida. Sofreu ou sofre algum tipo de pressão para se manter no topo das paradas de sucesso?
Sofro pressão de mim mesma para manter o bom nível das minhas canções. Sou uma pessoa que gosto de fazer o melhor que posso, sendo assim isso quer dizer mais tempo, mais esforço, mais conhecimento e também mais exigência. Isso significa pressão.

Você recebe muitos pedidos para compor para outros cantores (as)? Quais foram os mais recentes?
A última cantora que me pediu música foi Maria Bethânia. Faço isso desde que surgi como compositora. Ela foi a primeira intérprete de uma canção minha ("A Força que Nunca Seca").

Ser colega de trabalho de grandes ídolos seus, como Maria Bethânia e Caetano Veloso, mudou de alguma forma sua admiração por eles?
Ao contrário. Me fizeram admirar mais, porque eles são mais humanos, carinhosos, sensíveis e mais cultos do que demonstram.

Apesar de todo o sucesso, você passa a impressão de manter um ritmo de vida bastante interiorano. Como é seu dia a dia quando não está gravando ou em turnê?
Lendo bastante. E não é na internet. É livro, papel.

"Segue o Som" vai dar origem a um novo show? Como estão os novos projetos profissionais?
Sim, claro. Já estamos ensaiando e com algumas datas de lançamento. O primeiro show será no Circo Voador. O que é significativo pra mim porque além da estreia do disco, o Circo é uma casa que lançou artistas importantes e mantém shows antológicos em sua agenda. Depois disso, vamos seguir o som.

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